Dizem que essa é a melhor época para ser nerd (e eu concordo), mas também é a melhor época para fãs de filmes de terror.
A safra dos filmes está ótima, com alguns já clássicos, como Um Lugar Silencioso, Corra!, Fragmentado, IT – A Coisa, entre outros. E se estamos neste momento, na época para filmes de terror, James Wan e seu Invocação do Mal, é um dos responsáveis.
Após o sucesso de Invocação do Mal em 2013, o terror e o cinema mudaram, e o próprio filme virou uma franquia: teve uma continuação em 2016, que foi ainda melhor do que o primeiro e os dois spin-offs da boneca Annabelle: o primeiro teve grande acolhida popular e o segundo foi uma bomba inacreditável.
E agora, em 2018, a franquia está se expandindo com outro spin-off: A Freira, personagem que apareceu em Invocação do Mal 2.
O filme se passa em 1952, onde uma freira que vive reclusa em um casarão na Romênia comete suicídio. Neste cenário é chamado o Padre Burke (Demián Bichir) e a noviça, prestes a se tornar freira, Irmã Irene (Taissa Farmiga, irmã de Vera e ótima no papel!), para investigarem o caso. Porém, os três descobrem que o local está possuído por uma força maligna. Os dois têm a ajuda de um morador do local, Frenchie, que viu o corpo da vítima e conhece o local.
A Freira não chega à mesma qualidade dos dois filmes de Invocação do Mal, é verdade, justamente porque faltou uma mão como a de James Wan na direção, mas supera os dois filmes da Annabelle com folga.
Quem escreveu o roteiro foi Gary Dauberman, que também escreveu os dois filmes de Annabelle e IT – A Coisa. Aqui ele faz um bom trabalho na condução da história, e prepara o filme para o clima de terror e mistério.
E com um roteiro desses, passado nos anos 50 e com pano de fundo composto pela figura histórica de uma Freira, ainda com toques de exorcismo, o filme tinha tudo e mais um pouco para se tornar um clássico do terror como o próprio Exorcista, mas resolveu não se arriscar demais.
A Freira é um bom filme, porém, mal dirigido.
A produção é caprichada, embora o filme não tenha sido caro, já que se passa praticamente no mesmo lugar, com poucas tomadas externas. Há pouco uso de jump scares, o que é muito bom e realmente assusta: a casa é uma grande personagem do filme e há um bom clima de terror, sobretudo no terceiro ato, onde o filme explora bem o sobrenatural e a espiritualidade (ou falta dela), no local.
E assim como Invocação do Mal, o filme não seria o mesmo sem seus bons personagens: Demián Bichir claramente pegou os trejeitos de Max Von Sydow em O Exorcista, e fez um trabalho competente como o Padre Burke. Também destaque para Jonas Bloquet como Frenchie, um ator belga que esteve em Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, e aqui funciona como um alívio cômico, preciso no filme. O ator tem tudo para estourar em Hollywood.
Mas, quem se destaca mesmo é a Taissa Farmiga, como uma aspirante a freira e que não quer mais ser conhecida apenas como a “irmã da Vera Farmiga” (que também está em Invocação do Mal), e tomar as rédeas da carreira. Ela já é uma grande atriz desde a primeira temporada de American Horror Story, e com sua atuação mais retraída e frágil, também promete ir longe em Hollywood.
A Freira é um bom filme: tem boa ideia, boa execução, elenco e vilã, que pode entrar na galeria das vilãs clássicas do terror no cinema.
E é um filme para ver em grupo, assim como os filmes de terror adolescente do final dos anos 90 ou os clássicos dos anos 80.
Infelizmente faltou uma direção consistente, e o que era para ser clássico se aproxima do “normal”. Fica para a próxima!

