Destruição Final 2 é um erro desde seu título | CRÍTICA

Destruição Final 2 é um filme lançado nos cinemas em fevereiro de 2026, dirigido por Ric Roman Waugh, com roteiro de Chris Sparling, ambos responsáveis pelo primeiro longa. O filme ainda conta com texto adicional de Mitchell LaFortune, ampliando uma equipe criativa que retorna quase intacta.

Na trama, o casal John e Allison, vividos por Gerard Butler e Morena Baccarin, além do filho Nathan, interpretado por Roman Griffin Davis, sobrevive aos eventos do primeiro filme. Protegidos em um bunker na Groenlândia, eles decidem abandonar o local após uma tempestade e partem em uma jornada pelo continente europeu. O objetivo é chegar à chamada Cratera, supostamente o último refúgio seguro diante do desastre que devastou o mundo.

Como o título sugere, trata-se da continuação de Destruição Final, lançado em 2020, em pleno período de pandemia. O longa custou cerca de 35 milhões de dólares e arrecadou 52 milhões nas bilheterias mundiais. Em condições normais, o resultado seria visto como um fracasso comercial. No entanto, considerando que os cinemas mal estavam abertos, esse faturamento foi tratado como aceitável.

Destruição Final 2 e a falsa ideia de continuidade

Esse relativo sucesso levou Ric Roman Waugh a reunir novamente Gerard Butler, que também atua como produtor, e Morena Baccarin, retornando a esse universo apocalíptico. O problema é que Destruição Final 2 não compreende o que funcionava minimamente no original.

O primeiro filme estava longe de ser memorável, mas apresentava um nível básico de competência narrativa. Sobretudo, fazia o público se importar com seus personagens, algo essencial em filmes do gênero. Aqui, no entanto, a continuação piora praticamente tudo o que havia sido apresentado em 2020.

O roteiro funciona apenas como uma sucessão de desculpas para cenas de catástrofe. O uso excessivo de chroma key e um CGI artificial já não fazem sentido em 2026. Falta impacto visual e sobra artificialidade, o que compromete qualquer tentativa de imersão.

Nem mesmo como entretenimento o longa se sustenta. As sequências de destruição são enfadonhas e repetitivas, a cinematografia é sem identidade e há poucos momentos de respiro para o espectador. O cansaço se instala rápido, mesmo em um filme curto.

Atuações e escolhas que não se sustentam

Ao menos, a montagem não exige demais do público e a duração pouco superior a 90 minutos ajuda a tornar a experiência menos penosa. Ainda assim, há diversas quebras de ritmo que reforçam a sensação de um filme mal estruturado.

Em produções de catástrofe, não se costuma exigir grandes atuações. Ainda assim, chama atenção como o próprio Gerard Butler parece não se levar a sério há anos. Sua carreira claramente se afastou dos grandes blockbusters, mas ele encontrou um nicho rentável, do qual Destruição Final 2 faz parte, ainda que sem brilho.

Morena Baccarin, por sua vez, faz o possível com o material que tem. Sua personagem tenta transmitir algum traço de humanidade em meio a um filme artificial. O mesmo não se pode dizer de Roman Griffin Davis. Com mais tempo de tela do que no longa anterior, ele acaba se tornando o elo mais fraco do elenco, dificultando qualquer empatia do espectador com Nathan.

Quando até o título denuncia o problema

Até no título brasileiro o filme tropeça. Se a destruição era final, por que uma segunda parte? O erro remete a problemas clássicos de tradução como O Último Exorcismo 2 ou Meu Primeiro Amor 2. A contradição é sintomática.

O título Destruição Final 2 não faz sentido. O roteiro também não. E, se houver próximos filmes, fica o desejo de que entreguem um filme-catástrofe, não apenas uma catástrofe de filme.

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Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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