Entre os lançamentos mais curiosos do ano, Alerta Apocalipse surge como uma comédia trash que promete diversão descompromissada. Estrelado por Joe Keery, o filme tenta surfar na onda de produções como Zumbilândia, apostando no humor absurdo, no caos constante e na clássica trasheira. Ainda assim, fica a pergunta que acompanha toda a sessão: Alerta Apocalipse entrega algo além de um conceito chamativo?
A trama acompanha dois funcionários de uma empresa de armazenamento que enfrentam o turno mais insano de suas vidas quando um fungo parasita, mantido em segredo pelo governo, foge do controle. Conforme a temperatura no subsolo aumenta, o microrganismo se espalha rapidamente, provocando controle cerebral, mutações grotescas e destruição corporal tanto em humanos quanto em outras formas de vida.
ALERTA APOCALIPSE NÃO SE LEVA A SÉRIO
Dirigido por Jonny Campbell, este é o primeiro projeto de maior visibilidade do cineasta em Hollywood. Desde os minutos iniciais, Alerta Apocalipse deixa claro que não quer ser levado a sério. Embora a cena de abertura tente construir tensão e desconforto, essa atmosfera dura pouco. Rapidamente, o filme abandona qualquer ambição de suspense e abraça de vez o humor escrachado.
Por um lado, essa escolha define com clareza o tom da obra. Por outro, evidencia limitações na direção, que não consegue sustentar nem o terror nem a comédia com consistência. O resultado é um filme que parece sempre à beira de funcionar, mas raramente chega lá.

CARISMA DO ELENCO SUSTENTA O FILME
Joe Keery entrega exatamente o que se espera dele. Mais uma vez, interpreta um personagem carismático, espirituoso e muito semelhante a papéis anteriores, especialmente em Stranger Things. Ainda assim, seu charme natural sustenta boa parte de Alerta Apocalipse. Ao seu lado, Georgina Campbell funciona bem como parceira de cena, criando uma dinâmica leve, funcional e, em alguns momentos, genuinamente divertida.
Além disso, a jornada dos protagonistas rende bons instantes, principalmente quando o roteiro permite que o humor físico e as situações absurdas assumam o controle da narrativa. Nessas brechas, o filme encontra seu melhor ritmo.
Um destaque inesperado é Liam Neeson, que parece cada vez mais confortável na comédia. Desde Corra que a Polícia Vem Aí, o ator vem explorando esse lado com eficiência. Em Alerta Apocalipse, ele entrega alguns dos momentos mais engraçados do longa, misturando sua clássica presença de ação com um timing cômico surpreendente.

FALTA DE OUSADIA NO TRASH
Apesar do potencial, o filme falha justamente onde mais deveria brilhar. O roteiro é raso, incoerente e pouco inventivo. Ele não desenvolve personagens, não constrói tensão e tampouco explora sua própria premissa com criatividade. Além disso, mesmo sendo uma comédia trash, Alerta Apocalipse poderia apostar mais no gore e na inventividade das mortes, algo que infelizmente fica aquém do esperado.
No fim, Alerta Apocalipse é um filme genérico que tenta ser Zumbilândia, mas acaba mais próximo de Zombeavers. Dependendo do humor do espectador, pode render algumas risadas ocasionais. Ainda assim, falta ousadia, criatividade e um roteiro mais afiado para que o caos realmente funcione.
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