A Única Saída expõe o limite moral do desespero contemporâneo | CRÍTICA

A Única Saída ou No Other Choice é o novo filme escrito e dirigido por Park Chan-Wook (de Oldboy e A Criada, entre muitas outras obras primas), é baseado no livro The Ax, de Donald E. Westlake e conta a história de Man-Su (Lee Byung-Hun, ótimo no papel), que trabalha 25 anos em uma empresa em um cargo de liderança, mas que fica desempregado por conta do corte de funcionários e decide radicalizar na busca de uma nova carreira na disputa contra os outros candidatos.

A Única Saída é um filme que está arrancando elogios da crítica e sendo aplaudido em todos os festivais que está sendo exibido. E em um ano tão poderoso para os filmes de língua não-inglesa, como o brasileiríssimo O Agente Secreto e os excepcionais Valor Sentimental e Foi Apenas Um Acidente, este longa mostra também como Hollywood está buscando em outras culturas a qualidade que os filmes milionários de estúdio não estão conseguindo alcançar.

Sem contar que este filme mostra a força que a cultura coreana alcançou mundialmente com o próprio Oldboy na década de 2000, mas também com a aclamação de Parasita e seu Oscar de Melhor Filme, além dos fenômenos Round 6, K-Pop e da febre dos Doramas.

E um atrativo interessante de A Única Saída é que, com um roteiro desses, vários roteiros estadunidenses usariam a pieguice ou história de superação como força motriz para o longa, ou tinha tudo para ser uma história dramática, o que também faria muito sentido, mas o diretor resolve conduzir sua trama de forma cômica, seja por alguns diálogos, algumas situações ou até pela trilha sonora, que é excelente por sinal.

Vez ou outra o espectador pode se sentir incomodado ou até constrangido em rir de algo que deveria ser levado a sério, mas a intenção do diretor está justamente em chocar e questionar a régua moral que todos nós temos, inserindo, inclusive, toques de terror, que já vimos Wook fazendo isso com maestria em outros trabalhos.

Mesmo sendo uma trama diferente dos padrões hollywoodianos que o público médio está acostumado, também não é difícil se identificar com o protagonista e seus dilemas, já que desemprego e é um fenômeno, infelizmente, global, embora o que se vê em tela seja algo levado até as últimas consequências.

Outro aspecto que o diretor desafia é a percepção que o mundo tem sobre a Coréia do Sul como um país tecnológico e próspero, o que, de fato, é uma realidade, mas tanto Bong Joon-Ho mostrou lá em Parasita e Park Chan-Wook apresentou neste filme é que existe sim, muita desigualdade que está por debaixo dos panos – e muito parecida com o Brasil, por exemplo.

No Other Choice não chega à perfeição de Oldboy e de outros trabalhos de Park Chan-Wook e nem mesmo tem essa pretensão, mas faz pensar e nos fazer questionar em até onde vai a nossa moralidade perante uma situação de emergência.

O lobo sendo o lobo do homem.

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Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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