Se Não Fosse Você: por que o filme é melhor que o livro de Colleen Hoover | CRÍTICA

Se Não Fosse Você saiu diretamente das páginas para as telas, sendo a adaptação literária de uma das obras da famosa Colleen Hoover. Confira agora, sem spoilers, uma análise multidisciplinar entre livro e filme.

O filme narra a história de Morgan e Clara, mãe e filha em conflito, que passam a viver uma verdadeira guerra emocional após uma perda dupla: Chris e Jenny, respectivamente pai e tia de Clara, marido e irmã de Morgan. Em meio ao processo de luto, as duas se deparam com o desafio irônico do destino, que as obriga a reconstruir sua relação e redescobrir o afeto, justamente após perderem as pessoas que mais amavam. Além disso, o roteiro traz reviravoltas marcantes e chocantes, criando uma ambientação dramática intensa dentro da dinâmica familiar.

Para um bom leitor, a sensação ao ver uma adaptação literária anunciada transita entre a ansiedade de visualizar tudo o que habitava apenas na mente e o receio de encontrar algo totalmente fora da realidade. É inegável que a leitura nos transporta para um universo construído internamente, no qual muitas vezes criamos, de forma única, as feições e gestos daqueles personagens que acompanham nossa imaginação da primeira à última página.

Pode parecer ousado dizer, mas toda adaptação literária carrega a enorme responsabilidade de se aproximar ao máximo daquele mundo inteiro, cuidadosamente escrito e consumido por uma legião de leitores. Entre exemplos marcantes, temos franquias consagradas como Percy Jackson, Harry Potter e Jogos Vorazes. Em um nível mais aprofundado, destacam-se as séries Shadowhunters e Fallen (que também ganharam versões cinematográficas), além de uma das queridinhas do gênero: Diários de um Vampiro.

O filme “Se Não Fosse Você” É Fiel Ao Livro?

Para quem leu Se Não Fosse Você, assistir ao filme é como ter um gabarito mental em mãos. A cronologia dos fatos é facilmente identificável, já que a adaptação se mantém, em boa parte, fiel à narrativa original. No entanto, algumas cenas desviam de forma gritante do que foi lido. Há exclusões notáveis e adições inesperadas que, para ser bem sincera, acabam quebrando completamente a entonação de certos momentos. Infelizmente, um detalhe aparentemente pequeno pode comprometer toda a intensidade e o peso de uma fala ou ação.

Um ponto bastante fiel ao livro é a estética dos personagens. Gostei bastante da escolha do elenco, e cada ato conseguiu transmitir bem a personalidade e o estilo de cada um. Mas, como toda regra tem sua exceção, vale destacar a questão de Jonah (Dave Franco) receber um intérprete perfeito, assim como Chris Grant (Scott Eastwood). No entanto, no livro, é apontado que Chris possui uma aparência mais jovial que Jonah, enquanto no filme ocorre o contrário.

Como já comentei, uma adaptação literária carrega a responsabilidade de atender à expectativa dos leitores. Há um argumento recorrente sobre a suposta dificuldade de se adaptar obras de fantasia, mas ele já não se sustenta na atualidade. Hoje, contamos com recursos técnicos poderosos, capazes de criar cenas visualmente impactantes, com camadas e dimensões complexas, mesmo partindo de um estúdio em chroma key. Dito isso, os livros de Colleen Hoover não envolvem elementos fantásticos, o que torna ainda menos justificável a mudança de falas e cenas, principalmente aquelas que têm um peso dramático significativo para o roteiro.

Prometi não dar spoilers e seguirei assim. Mas, se você não leu o livro, dificilmente sentirá o impacto dessas alterações. Por outro lado, quem leu notará que algumas das cenas mais marcantes, que já não são muitas, perderam sua essência por conta de mudanças sem propósito. Ao invés de enriquecer a adaptação, essas decisões acabaram comprometendo a qualidade do contexto original.

A BALANÇA ENTRE LIVRO E FILME

Apesar de ter apresentado uma crítica firme ao livro no meu texto anterior, minha aposta sincera era de que o filme superaria a obra original. Pelo trailer, já ficava claro que Morgan teria uma visibilidade mais destacada e, para confirmar minha expectativa, de fato teve. É curioso perceber que os pontos fortes do livro se tornaram fragilidades no filme, enquanto os pontos altos da adaptação corrigem justamente as falhas da narrativa escrita. No livro, Morgan é retratada de forma apagada, quase sem graça, enquanto no filme ela ganha reações vivas e coerentes, sem que isso tire o protagonismo de Clara, que no livro acaba assumindo um espaço maior do que deveria.

Outra aposta que fiz foi em relação ao hype da união de McKenna Grace e Mason Thames, que formam um casal tanto nas telas quanto na vida real. Eles entregaram uma química intensa e cenas incríveis de acompanhar, especialmente para quem aprecia um romance leve, adolescente e assumidamente clichê. Cada um dos atores trouxe uma vivacidade única aos seus personagens, conseguindo transmitir uma paleta emocional rica e envolvente, o que torna o filme uma oferta sincera de sensações.

No fim das contas, minha aposta se concretizou. Apesar de a balança oscilar entre acertos e deslizes, o filme se saiu melhor que o livro.

Se Não Fosse Você está em cartaz nos cinemas e, apesar de qualquer ressalva, é um filme que entra para a lista de recomendações. Confira o trailer e corra para o cinema!

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Nerd: Laurie Lima

Apaixonada por livros, criadora de mundos e histórias que desafiam a realidade. Escritora e rpgista de corpo e alma, sempre viajando pelo universo geek.

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