Se Não Fosse Você: filme acende o debate sobre as adaptações de Colleen Hoover

O Colleenverso literário está ganhando espaço nas telinhas a cada ano, em 2024 recebemos a adaptação de É Assim Que Acaba, um filme que foi um completo divisor de águas e dividiu o público leitor no time dos que acharam uma adaptação incrível e outros que tiveram um checklist de apontamentos de detalhes que ficaram fracos ou não fiéis ao livro. Apesar de termos o sucesso, Verity, previsto para 2026. Neste ano, ganhamos Se Não Fosse Você nas telinhas, gerando uma expectstiva enorme entre os leitores e fãs da autora.

O ENREDO CARENTE DE DESENVOLVIMENTO

Colleen Hoover é uma autora norte-americana famosa pela intensidade de suas obras e pela escrita envolvente de cada história. Verity se tornou um sucesso por ser cruel e mórbido, deixando um plot twist que casou muito bem com o final e com o capítulo extra que apresenta uma dubialidade, colocando o leitor em uma posição arbitrária de escolher em qual versão acreditar, provocando em quem lê uma ação inevitável no cotidiano: o julgamento.

Se Não Fosse Você

Por outro lado, É Assim Que Acaba fisgou o lado romântico da leitura e também a essência feminina de tomar a decisão certa. Diferente de Verity que pede para você escolher um lado, É Assim Que Acaba já te direciona para o lado “certo” a ficar, tornando tudo uma historia de superação.

Apesar do hype das obras de Hoover, minha experiência com Se Não Fosse Você traz uma sensação receosa com o que pode vir na adaptação, principalmente pelo fato da primeira adaptação literária (É Assim Que Acaba) ter sido cinematograficamente fraca, em meu ponto de vista. Se Não Fosse Você é uma obra com um enredo bom e desenvolvimento fraco, totalmente diferente da pegada insana que Colleen costuma rechear suas obras.

INCOERÊNCIA ENTRE PERSONAGEM, FATO E PERSONALIDADE

Toda a história da obra recebe um contexto muito bom, pontos de revelações bombásticas e que resultam em um drama familiar digno de novela, porém o desenvolvimento ficou monótono e em determinados aspectos e fatos, de modo que as descobertas feitas surgem de maneira sem sentido algum, principalmente se você parar e analisar de um ponto de vista humano e lógico da situação. Os capítulos são distribuídos em povs de Morgan Grant e Clara — mãe e filha — deixando evidente e fácil a forma de compreender como funciona a mente de cada uma, por essa razão é que certas descobertas se tornam descabidas e incoerentes com o arquétipo da personagem.

A protagonista, Morgan, carrega uma performance muito desligada e robotizada de certa forma, quando de repente ela se torna expert em juntar pontos e descobrir coisas apenas em um olhar. Todo esse desequilíbrio causa uma desarmonia entre personagem e realidade dele. É possível sentir que Colleen pecou na consistência de Morgan para criar a personalidade forte de Clara.

Esses pontos que são importantes para um bom desenvolvimento do plot acabam gerando capítulos maçantes, principalmente ao decorrer da leitura quando há flashbacks e você consegue capturar mais da essência de cada personagem. Por isso alguns acontecimentos se tornam sem sentido e com reações conflitantes ou exageradas de certa forma. Sinto que cada descoberta relativamente impactante é mitigada pelo fator “ação e reação” da protagonista, quebrando a energia de descoberta do leitor e tornando aquele tópico chato.

PROTAGONISTA OFUSCADA

Toda a história tem um peso enorme para Morgan, mas Clara consegue “roubar” o protagonismo quando sua história se torna a mais interessante. Nessa obra, Hoover tenta desenvolver um romance teen conjuntamente com um new adult, trazendo uma ideia interessante de desenvolvimento múltiplo, mas ela mesma acabou causando esse desequilíbrio ao tornar Morgan e Clara insuportáveis em diversas passagens do livro.

Enquanto Morgan se tornou repetitiva, mesmo possuindo diversos possíveis ganchos para se desenvolver, Clara conseguiu florir em seu desenvolvimento com Miller. Pela primeira vez senti o romance adolescente mais atraente e empolgante do que o romance adulto. Morgan merecia um desenvolvimento melhor e personalidade mais elaborada para conquistar as cenas objetivas que teve, principalmente pela autora colocar ela em uma performance investigativa e observadora que não condiz com a realidade apresentada desde o início do livro.

OPINIÃO (IM)POPULAR DA ADAPTAÇÃO DE “SE NÃO FOSSE VOCÊ”

Nas redes sociais é notável uma boa esperança e expectativa, mas não posso deixar de dizer que sinto mesmo que o hype é dado pela junção de elenco que propriamente pelo livro. McKenna Grace e Mason Thames darão vida a Clara e Miller, porém há rumores de um romance real e bem vivo entre eles há um tempinho, expandindo a cada mídia que ambos compartilham em suas redes sociais. Acredito que isso contribua para uma energia mais advinda de um shipp entre eles e a ansiedade dos fãs de assistem eles interagirem como um casal do que propriamente pelo filme.

Por outro lado, considerando as breves cenas que temos no trailer, consigo apostar que pela primeira vez uma adaptação pode ficar melhor nas telas do que nas páginas. É uma aposta pessoal e ousada, que será confirmada ou refutada quando finalmente o filme sair. Mas, pelo pouco visto, aparentemente o filme dará o protagonismo correto para Morgan sem minimizar a sensação gostosa de também acompanhar o romance adolescente de Clara com Miller.

Por fim… o off topic da vez é que virei fã do Miller pela criatividade e desempenho em alterar o limite da cidade por causa de uma pizza.

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Nerd: Laurie Lima

Apaixonada por livros, criadora de mundos e histórias que desafiam a realidade. Escritora e rpgista de corpo e alma, sempre viajando pelo universo geek.

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