O filme nacional, Atena, chega aos cinemas brasileiros no fim de julho de 2025 com a missão de provar, mais uma vez, que o Brasil sabe fazer cinema de gênero com personalidade. Dirigido por Caco Souza (O Faixa Preta, Solteira Quase Surtando), o longa marca a estreia de Enrico Peccin como roteirista de longas e aposta em uma trama densa, corajosa e profundamente atual.
A história se passa em Gramado, no Rio Grande do Sul, cidade mais conhecida pelo seu tradicional festival de cinema. A protagonista é Atena, interpretada por Mel Lisboa em uma das atuações mais intensas da sua carreira. Ela cresceu marcada por traumas: viu a mãe ser agredida pelo pai e também foi vítima de abusos. Já adulta, passa a atrair abusadores em festas e bares para fazer justiça com as próprias mãos.
Com a ajuda do jornalista Carlos (Thiago Fragozo), que começa a investigar seus rastros, a trama se estende até Montevidéu, capital do Uruguai, onde Atena reencontra o pai e mergulha em uma busca por vingança. Ao mesmo tempo, ela se confronta com os fantasmas que nunca foram embora.
O cinema brasileiro vive um de seus melhores momentos em anos. O Oscar de Ainda Estou Aqui e sucessos como O Auto da Compadecida 2, Homem com H e Vitória mostram que o público está cada vez mais aberto a diferentes gêneros e abordagens. Mesmo assim, ainda existe resistência e preconceito. Muitos associam o cinema nacional apenas a comédias ou histórias urbanas, o que não representa a diversidade real da nossa produção. Se Hollywood sempre fez ótimos suspenses e thrillers, por que o Brasil não poderia também?
Atena não é brilhante, mas é firme na proposta e corajoso na escolha do tema. Em seus 90 minutos, trata de questões urgentes como feminicídio, violência doméstica e saúde mental. Não é um filme fácil, mas é necessário. E merece ser visto e debatido.

As comparações com Bela Vingança são inevitáveis. Assim como no longa estrelado por Carey Mulligan, aqui também acompanhamos uma mulher que atrai abusadores em festas para aplicar o bote final. Mas Atena aposta em uma abordagem mais direta, trágica e investigativa. É um filme sério, com cenas gráficas e gatilhos evidentes. O roteiro não romantiza a violência e também oferece espaço para o personagem de Thiago Fragozo, um jornalista que entende as motivações de Atena, mesmo discordando de seus métodos.
Mel Lisboa entrega uma personagem potente. Atena é o retrato de uma mulher que cresceu cercada de violência, revolta e silêncio. Uma mulher que entende que o sistema falha com as vítimas e que, muitas vezes, só resta a ação individual. Ela é dor e reação, mas também é consciência. Um símbolo de um tempo que exige mais escuta e menos conivência.

Atena é urgente, realista e prova que, com roteiro afiado, direção segura e boas atuações, o Brasil pode sim criar thrillers de impacto, com relevância e voz própria.
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