Wicked – O Musical encanta com protagonismo forte, mesmo com falhas visuais

Atualmente em cartaz no Teatro Renault, Wicked retorna aos palcos brasileiros em uma nova montagem adaptada por aqui no ano passado e este ano após o sucesso mundial e a recente versão cinematográfica. Mas será que Wicked – O Musical continua encantando?

Incompreendida por causa de sua pele verde, uma jovem chamada Elphaba estabelece uma improvável, porém profunda amizade com Glinda, uma estudante com um desejo inabalável de popularidade. Após um encontro com o Mágico de Oz, o relacionamento das duas é colocado à prova, à medida que suas vidas seguem caminhos muito diferentes.

Antes da peça de 2003, Wicked nasceu como um livro em 1995, escrito por Gregory Maguire, abordando temas como desigualdade, preconceito e apagamento cultural. A adaptação musical começou a ser desenvolvida por Stephen Schwartz e Winnie Holzman em 1998, estreando na Broadway em 2003 com Idina Menzel e Kristin Chenoweth nos papéis principais.

Agora, Wicked – O Musical marca sua terceira montagem no Brasil. A primeira, em 2016, foi uma réplica fiel da Broadway. Já as versões de 2023 e 2025, ambas produzidas pelo Atelier de Cultura, são “não-réplicas” — ou seja, adaptações com liberdade criativa em relação ao material original.

Elenco Principal

Wicked O Musical

Mesmo com mudanças na direção artística e visual, uma coisa permaneceu: as protagonistas. Myra Ruiz e Fabi Bang interpretam Elphaba e Glinda desde 2016, e cada uma está em momentos distintos com suas personagens.

Myra Ruiz entrega sua melhor Elphaba até agora. Madura, intensa, com ótima química com Luísa Bresser (Nessarose), ela cresce com o desenrolar da peça. Seus vocais oscilam entre bons e grandiosos, e ela brilha especialmente em “The Wizard and I”, “Defying Gravity” e “No Good Deed”, onde atinge o auge dramático da personagem.

Fabi Bang, por outro lado, parece cansada. Apesar dos vocais impecáveis em “No One Mourns the Wicked”, “Thank Goodness” e “Popular”, sua Glinda carece de frescor. Algumas piadas soam forçadas e ela atua em piloto automático em certas cenas. Felizmente, no drama, ela ainda entrega potência.

Mas é quando Fabi e Myra dividem o palco que a mágica acontece. Desde “What Is This Feeling?” até o tocante “For Good”, é impossível não se emocionar com a amizade construída — e desfeita — entre as duas.

Personagens Secundários

Hipolyto é um ótimo Fiyero. Carismático e convincente, cresce ao longo da peça. Brilha em “Dancing Through Life” e entrega química com Myra em “As Long As You’re Mine”.

Karin Hils é uma Madame Morrible maliciosa, ambiciosa e cínica. Mesmo sem uma grande cena solo, ela domina o palco com presença e controle.

Baccic, como o Mágico de Oz, é o elo mais fraco. Sem o carisma necessário e com vocais medianos, não transmite a dualidade que o personagem pede. Ainda assim, “Wonderful” é um número divertido.

Luísa Bresser (Nessarose) surpreende com entrega emocional sólida, especialmente nas cenas com Myra Ruiz, e Thadeu Torres (Boq) está competente no que propõe.

Cenário e Visual

Se o elenco é, em geral, competente, o cenário deixa a desejar. Em “What Is This Feeling?”, o excesso de gente em cena dificulta enxergar as protagonistas. Em “One Short Day”, a Cidade das Esmeraldas carece de impacto visual — falta verde no cenário e nos figurinos, o que compromete a identidade icônica desse momento.

Por outro lado, “Thank Goodness” se destaca. O cenário funciona bem com a emoção da cena, e o trio Fabi Bang, Hipolyto e Karin Hils entrega um dos pontos altos da montagem.

Conclusão

A montagem de 2025 está longe da perfeição da de 2016, mas supera com folga a versão de 2023. A retirada de piadas forçadas e um ensemble mais coeso ajudam a elevar a qualidade geral.

Se você conheceu o universo de Oz pelo cinema e quer mais dessa história, Wicked – O Musical pode ser uma boa porta de entrada — especialmente se for sua primeira vez. E mesmo com falhas visuais e algumas atuações abaixo do esperado, há momentos que justificam a ida ao teatro. Afinal, ver Elphaba voando durante “Defying Gravity” é um daqueles instantes mágicos que ficam na memória para sempre.

Posts Relacionados:

A Sombra do Torturador: Um olhar sobre um clássico da Fantasia

Bienal do Livro Rio 25 surpreende com vendas recorde e estandes lotados

DarkSide na Bienal Rio 2025: Quando o Terror Ganha Vida

Não esquece de seguir o Universo 42 nas redes sociais:

Instagram YouTube Facebook

Nerd: Marina Bueno

Share This Post On