Após um hiato de 4 anos, a cultuada série Black Mirror está de volta ao catálogo da Netflix em sua temporada 6. A gigante do streaming comprou os direitos pela série após a 2ª temporada e desde a 3ª, em 2016, estreia no catálogo.
A ideia da Netflix era estrear todo ano para encher o seu catálogo, mas criar um roteiro fora da caixa para uma série do tamanho de Black Mirror não é algo que nasce da noite para o dia e embora tivessem grandes episódios, como o querido San Junipero, a série estava entregando temporadas irregulares até a péssima 5ª temporada.
Porém, desta vez, o criador e roteirista Charlie Brooker teve 4 anos para conceber a nova temporada e mesmo com a pandemia da COVID-19 no meio do caminho, Charlie teve mais tempo para os novos episódios.
E sem contar que, considerando o mundo atual, onde as coisas mudam cada vez mais rápido, o mundo em 2023 é diferente do que aquele apresentado em 2019.
Neste meio tempo, houve o avanço da Inteligência Artificial, das Redes Sociais, dos vídeos curtos como o TikTok e Stories, da intolerância política e social, além da própria pandemia, que mudou o comportamento humano para sempre.
A temporada 6 de Black Mirror é um reflexo de tudo isso e muito mais, porém, ela não se limitou apenas a falar de tecnologia e dissertou sobre diversos temas, sem se esquecer da ácida crítica ao mundo real e às mudanças, para o bem e para o mal.

O primeiro episódio chama-se A Joan é Péssima, no qual a Joan do título (Annie Murphy) é uma empresária aparentemente comum, mas com um dia intenso: demitiu uma de suas funcionárias, foi para a terapia, se encontrou com o ex em um bar, mas ao chegar em casa para assistir algumo no streaming, descobre que a sua vida é narrada em uma série estrelada pela Salma Hayek. Ambas terão que correr para ter as suas vidas de volta.
No segundo episódio é o Loch Henry, um jovem casal, Davis e Pia, vão ao interior da Escócia para passar uns dias na casa da mãe dele e para gravarem um documentário sobre a natureza local, já que o lugar é paradisíaco, Pia fica intrigada porque um local incrível como aquele estava desértico. Depois descobre-se que em 1997, um casal desapareceu, a imprensa fez um espetáculo midiático, mas que abandonou após a morte da princesa Diana. Não bastasse isso, o local tem um serial killer que assassinou o pai do protagonista e expulsou os turistas. Eles resolvem fazer um documentário sobre o caso.

O terceiro episódio, chamado Beyond The Sea, se passa em 1969, onde dois astronautas, Cliff (Aaron Paul) e David (Josh Hartnett) estão em uma missão no espaço, vivendo com suas réplicas no planeta Terra com suas famílias. Cliff, por exemplo, é casado com Lana (Kate Mara). Este equilíbrio é afetado quando David é espancado e vê sua família morrer nas mãos de uns jovens que fazem parte de um culto, deixando sua réplica presa no espaço. Cliff divide sua réplica com David para ele visitar a Terra, mas quando ele se apaixona por Lana, começa o conflito entre os dois.

O 4º episódio é o Mazey Day, onde a jovem Mazey, estrela de Hollywood e problemática atropela um homem na estrada, se isola, mas atrai a curiosidade dos paparazzi. A fotógrafa Bo (Zazie Beetz) e um grupo de colegas faz de tudo para ter alguma foto da artista e, assim, ganharem prestígio profissional.

O último episódio, e dos mais interessantes, chama-se Demônio 79, passado no ano de 1979, na Inglaterra, ano de efervescência cultural no país e de eleições na qual Margaret Thatcher venceu. Neste cenário, a jovem Nida, tímida e que trabalha em uma loa de calçados, é humilhada pela colega folgada, que coloca tudo nas suas costas, mas fica com toda a glória, também é humilhada pelo seu chefe, que a faz almoçar no porão por conta do cheio da comida. Em um desses almoços, Nida vê um objeto estranho, que invoca uma força demoníaca chamada Gaap que diz que ela deve matar 3 pessoas em 3 dias, senão a humanidade presenciará o apocalipse e fim do mundo. Neste cenário, a então menina normal fica no dilema entre se tornar uma assassina ou não.
Após o desastre da 5ª temporada, Black Mirror volta com bons episódios e mesmo sem o charme das primeiras temporadas, a temporada 6 é consistente, instigante e, no mínimo, curiosa.
Existem as metáforas sobre tecnologia, como no primeiro e no terceiro episódio, mas no segundo há uma analogia sobre a onda true crime, no quarto, sobre a pressão do sucesso e o último é uma história com pitadas de terror, críticas ao jogo de interesses e até à polarização política.
São temas incômodos, sem sutilezas, que fazem o público refletir, ver a sua bizarra realidade, mas sem perder o fator de entretenimento.
Pode demorar o tempo que for, desde que entregue um produto de qualidade.
Isso é muito Black Mirror.
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