Ratatouille é uma animação da parceria Disney-Pixar, lançada no concorrido verão de 2007, é dirigida, roteirizada por Brad Bird (que nos agraciou com Os Incríveis e O Gigante de Ferro) e fez muito sucesso: custou 150 milhões e faturou 623 nas bilheterias mundiais. Venceu o merecido Oscar de Animação, foi indicado em Roteiro Original, Trilha Sonora para Michael Giacchino, Edição de Som e Mixagem de Som.
O roteiro de Ratatouille
Conta a história de Remy, um ratinho que vive nos esgotos de Paris junto com a sua família, que vive, basicamente, de pegar os restos do lixo. Mas o nosso protagonista sonha em se tornar um chef de cozinha, vive estudando culinária principalmente com o chef Gusteau, dono de um restaurante famoso de Paris, que já fora mais popular, mas perdeu a credibilidade devido às críticas negativas de Anton Ego, um exigente crítico culinário e muito importante na condução da trama.
Em um belo dia, Remy e sua família tentam roubar os alimentos de uma senhora idosa, mas são atacados, quase são pegos, mas conseguem escapar pelo esgoto, porém, Remy se perde de sua família e vai parar no tal restaurante Gusteau.
Lá, ele se depara com o jovem Linguini, que não tem talento nenhum para a cozinha, mas começa uma amizade improvável com o ratinho, pois o camundongo tem a aptidão para cozinhar, controla os movimentos do humano, que vai subindo de carreira, se torna chef, para o ciúme de Skinner, o rabugento chef inicial e Linguini começa uma relação com a Colette, uma cozinheira muito competente, que não leva desaforo para casa, e se destaca em um ambiente majoritariamente masculino.
A mensagem
A trama é totalmente fora da caixa, é impensável e improvável, mas que não foge de uma estrutura típica de roteiro: tem 3 atos muito bem definidos, tem a mensagem sobre sonhos, sobre não desistir e ainda temos um protagonista carismático. É impossível não se apaixonar pelo Remy, apesar de ele ser um rato, que na vida real, causa medo, nojo e doenças, mas que no filme a metáfora funciona.
Não importa o quão pequeno você seja, não importa o quanto as pessoas te rejeitem ou o quanto você seja limitado, sempre existe um jeito para você alcançar seus objetivos, mesmo que você tenha que ser duas vezes melhor para conseguir a metade da sua meta.

EGO
Esse raciocínio vale para o nosso Remy, mas para o seu amigo Linguini também, já que ele é ridicularizado por todos, jogado para escanteio e que praticamente só conseguiu emprego no restaurante porque é filho do Gusteau, que por sua vez, acabara de morrer e é a voz da consciência do nosso protagonista.
O raciocínio também vale para a nossa querida Colette, outro personagem fascinante, já que ela é a única mulher trabalhando na cozinha do restaurante, teve que se impor em um mundo machista como o da culinária, é muito competente no que faz (provavelmente a melhor naquele ambiente, além do próprio rato), mas que no fundo tem um coração enorme e qualquer espectador a queria como amiga. A química entre ela e Linguini é construída de forma orgânica e sem forçar a barra, mas o público torce para que eles fiquem juntos.

LINGUINI (left), COLETTE (right)
Já outro personagem fascinante é Anton Ego, que é construído para ser o vilão, já que ele é sempre apresentado pelas sombras, como um ser ranzinza e arrogante, mas que há um grande plot twist envolvendo-o, já que ele se rende ao talento de Remy e faz um grande discurso no 3º ato criticando a própria crítica – em uma das melhores cenas do filme.
Ratatouille também é uma ode à cidade luz, Paris, com belos cenários e a Direção de Arte caprichada. E por se tratar de um filme sobre culinária, o filme é um deleite total com um desfile de alimentos e receitas que dão água na boca. É um filme que dá fome no espectador, dá muita vontade de se alimentar, mas também de preparar aquele prato que tanto temos vontade. Afinal, como diz o filme, “qualquer um pode cozinhar”.
Ratatouille é um filme que beira à perfeição: é uma história de superação, é otimista, tem um belo trabalho gráfico, uma homenagem à Paris, com personagens carismáticos e ainda fala sobre culinária. Ou você já viu alguém infeliz falando sobre comida?
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