Cobra Kai 3ª temporada: equilíbrio de nostalgia e juventude

Quando Cobra Kai estreou no streaming do youtube em 2018, muitos desconfiaram porque parecia uma ideia absurda em capitalizar na nostalgia de uma franquia clássica dos anos 1980. Mas para a surpresa e alegria de todos, a série é um sucesso de público e crítica, sobretudo por falar com a geração que via Karatê Kid na Sessão da Tarde e a geração mais nova com a adição de novos personagens.

Em 2019 teve uma segunda temporada, que ainda foi boa, mas sem repetir a qualidade da anterior.

A 3ª temporada já estava em andamento quando o streaming do youtube foi descontinuado, mas com o sucesso da série, ela foi disputada pelos demais serviços de streaming e foi parar nas mãos da gigante Netflix.

E, assim, no primeiro dia de 2021, chegava à Netflix a 3ª temporada de Cobra Kai.

Essa temporada mostra as consequências da luta na escola, apresentada no final da temporada passada. Todos tiveram sequelas, mas o maior prejudicado foi o Miguel, que ficou internado, quase morreu e todos em sua volta ficam com o sentimento de culpa, principalmente o Johnny Lawrence, que carrega com seu pupilo uma responsabilidade quase paterna.

Uma coisa que muitos reclamaram da 2ª temporada é que o elenco veterano é deixado de lado e o foco está no elenco mais jovem, o que foi um erro e acerto ao mesmo tempo, pois ao passo que a história precisa avançar e não apenas centrada em nostalgia, o desenvolvimento dos jovens foi raso e que resultou na temporada mais fraca até agora, mas a briga do colégio gerou o ímpeto de todos ali.

Leia também: Atravessa a Vida retrata um Brasil de várias épocas

Aliás, existe um debate entre pais, professores e alunos sobre a continuidade ou não do karatê. Todos têm argumentos e a série foi imparcial na abordagem, mas o que fica claro para os personagens e para o espectador é que esse espírito mais violento dos alunos de Cobra Kai é gerado com rigidez pelo Kreese e sua política de bater sem misericórdia.

Neste cenário, as desavenças entre Johnny e Daniel LaRusso não fazem muito sentido, pois não basta esse bem maior, eles têm que deixar o passado enterrado e colocar tudo em pratos limpos.

Por falar no passado, não pense que não existem referências aos filmes anteriores: não apenas os fãs do primeiro filme sairão satisfeitos, mas principalmente, do segundo filme. E se a série trabalhou a abordagem de “colocar tudo em pratos limpos”, aqui vemos isso com mais intensidade.

Outra coisa interessante é desta temporada é que as personagens femininas têm muito mais espaço. Existe a presença de personagens clássicas e impactantes, mas outras personagens mais recorrentes que eram mais coadjuvantes nas temporadas anteriores têm muito mais espaço aqui, como a Amanda, esposa de LaRusso, que tem muito mais voz aqui, tomando decisões importantes para a casa, para a concessionária e sendo a voz da consciência para seu marido.

Carmem, mãe do Miguel, também tem mais espaço e também carrega o trauma do estado do seu filho. Culpa Johnny pelo que aconteceu, mas este arco também trabalha a feridas e como cada personagem trabalha com elas.

Já Samantha, filha do Daniel, carrega mais do que o trauma e culpa pelo Miguel: carrega a desconfiança dos seus colegas, pais e professores, ainda nutre um sentimento pelo Miguel e sua rival, Tori, ainda é uma ameaça presente.

Aliás, a Tori aqui é mais desenvolvida do que na temporada anterior, inclusive com seu arco familiar, mas a série não se esqueceu do seu ímpeto de violência e sua rivalidade com a Samantha só tende a aumentar.

Cobra Kai já foi confirmada para a 4ª temporada, o que fez todo o sentido para o desfecho desta 3ª. Não dá para negar que a série fisga, instiga e vicia seu espectador. É absolutamente deliciosa de se ver, sabe seu valor, mas não quer ser mais do que ela já é: uma série divertida, nostálgica e com personagens fascinantes.

O público gosta e os atores também, já que ninguém do elenco tem carreira fora de Cobra Kai, mas a série pode ser uma chance de cada um brilhar.

Essa é uma das magias da arte.

Não esquece de seguir o Novo Nerd nas redes sociais:

Instagram YouTube Facebook Twitch

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

Share This Post On