Noturnos do Canal Brasil mostra lado “obscuro” de Vinicius de Moraes

Um lado fascinante da obra de Vinicius de Moraes é mostrado nos episódios que adaptam poemas e contos num gênero surpreendente, o terror, em Noturnos do Canal Brasil.

Primeiramente devo dizer que fiquei extremamente empolgado quando recebi os 6 primeiros episódios do Canal Brasil para poder conferir o trabalho criado por Renato Fagundes, Marco Dutra e Caetano Gotardo.

Eu jamais havia feito uma associação do trabalho de Vinicius de Moraes com o terror, mas depois de assistir Noturnos e ler alguns dos poemas utilizados, me peguei pensando: estava tão na cara que isso era totalmente possível, principalmente ao adaptar para o audiovisual.

Assim tudo ficou ainda mais claro depois de poder participar da coletiva de impremsa que contou com a presença de Andrea Marquee, Ícaro Silva, Marjorie Estiano e Rafael Losso, além de Marco Dutra e Caetano Gotardo, que assinam a direção geral, e Renato Fagundes, um dos criadores da série.

A maioria textos que usamos é pouco conhecida. Uma exceção é O operário em construção, que dá base para um dos seis episódios. Nele, pesa um forte caráter social. O poema Balada do morto vivo dá abertura para a série, com uma pessoa contando para outras uma história de fantasma. O incriado, um dos poemas recriados, é bastante abstrato, sombrio e perturbador. Quisemos passear por todos os textos na busca de chaves do universo do gênero de terror

 Caetano Gotardo

Noturnos do Canal Brasil não é para os de coração fraco!

A partir de textos que tiveram direitos negociados com total liberdade para criações, Gotardo e Marco Dutra, perceberam nos escritos de Vinicius de Moraes, entre os anos de 1930 e 1950, claros diálogos com questões presentes em fortes discussões de hoje.

A gente está passando um momento muito cheio de horrores. O Brasil tem uma história muito rica em horrores, infelizmente. Muita coisa terrível costuma acontecer. No momento atual, isso está muito evidente.

Caetano Gotardo

O enredo gira em torno da “Noturna Companhia de Teatro”, que em meio à tempestade e alagamentos, se desdobra no comando de cada episódio: em cada um deles uma personagem é eleita para narrar vivências ou contos ouvidos, sob o manto do fantástico e da estranheza.

Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou é um documentário feito para os íntimos

Por fim, cuidado para o impacto que os episódios possam te causar. Durante o episódio 4, que tem a participação de Marjorie Estiano, tive que pausar várias vezes para conseguir digerir os fatos e o encerramento da história. Inclusive me identfiquei muito com a reação da personagem de Andrea Marquee, Joana.

O projeto é uma produção de A Fábrica em coprodução com a VM Cultural e com produção associada da Filmes do Caixote. Os episódios estão disponíveis nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay.

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Nerd: Carlos Carvalho

Apaixonado por Criatividade, Inovação e Criação de Conteúdo. Desde pequeno, eu já fazia listas dos filmes que assistia, criava teorias, jogava RPG e opinava sobre tudo. Em 2012, criei a GOTBR, uma fan page sobre Game of Thrones que acabou abrindo portas para o nascimento do Universo 42, um ano depois, com um grupo de malucos que acreditou nas minhas ideias. Foram mais de cinco anos como Líder de Estratégias Criativas na SKY, e depois assumi o cargo de Gerente de Marketing Global na CMON, uma das maiores empresas de jogos de tabuleiro do mundo. Hoje sigo envolvido em projetos que unem tudo o que mais amo: criatividade, narrativas, cultura pop e estratégia de conteúdo.

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