Christopher Nolan é dos diretores mais influentes do cinema. Na verdade, ele está no seleto grupo de realizadores da sétima arte que consegue ter autonomia em seu projeto e ainda conseguir um bom financiamento de seus filmes.
E um de seus melhores e mais celebrados filmes é um grande exemplo disso: A Origem é dos filmes mais originais e inventivos dos últimos anos, promove discussões até hoje e tem um elemento que falta em muitos projetos: cérebro.
E tudo isso em um arrasa-quarteirão de milhões de dólares, também escrito pelo próprio Nolan.
O filme conta a história de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um ladrão com a rara habilidade de roubar segredos do inconsciente, obtidos durante o estado de sono. Impedido de retornar para sua família, ele recebe a oportunidade de se redimir ao realizar uma tarefa aparentemente impossível: plantar uma ideia na mente do herdeiro de um império, Robert Fischer (Cillian Murphy).
Mas para isso ele chama para ajudá-lo uma equipe contendo seu parceiro, Arthur (Joseph Gordon-Levitt), o falsificador Eames (Tom Hardy) e a estudante de arquitetura Ariadne (Ellen Page).
O filme usa dessa história como pano de fundo para fazer com que a plateia reflita sobre a existência e importância dos sonhos: será que é possível controlar seus sonhos, seu inconsciente, ou pelo menos resgatar apenas as boas memórias?
Esta última questão é muito explorada no arco do protagonista junto com sua ex-esposa Mal (Marion Cotillard), que já morreu no mundo “real”, mas que ainda existe na imaginação e sonhos de Dom, sobretudo pela boa lembrança junto aos seus filhos.
Neste cenário, engana-se quem acha que A Origem seja apenas um compilado de cenas de ação: além de fazer pensar, investe nas emoções humanas, considerando que o nosso protagonista faz o que faz para ficar perto dos seus filhos.
E as grandes cenas de ação também permanecem na memória e coração de qualquer cinéfilo: como não lembrar das cidades se dobrando, ou a maravilhosa cena em que DiCaprio e Ellen Page conversam em um Café em Paris e depois descobre-se que se trata de um sonho, também o jogo de espelhos protagonizado pela mesma dupla, sem contar as batalhas anti-gravidade e seu alucinante 3º ato.
E nada disso seria tão bacana se não fosse a já clássica trilha de Hans Zimmer, que enaltece a força do filme e hoje é referência para qualquer um que quiser fazer alguma declaração bombástica.
O filme venceu 4 Oscar em 2011: Efeitos Especiais, Fotografia – e o diretor de fotografia é o Wally Pfister, grande parceiro de Nolan desde Amnésia – Mixagem de Som e Edição de Som. Ainda foi indicado a Melhor Filme, Roteiro Original para Nolan, Direção de Arte e Trilha Sonora para Hans Zimmer.
E o filme ainda compôs aquela grande safra de 2010 no Oscar, com filmes como Toy Story 3, A Rede Social, Cisne Negro, entre outros.
A Origem é daquelas obras únicas do cinema, um filme que diverte, faz pensar e quem o vê dificilmente vai esquecer.
Seria exagero chamá-lo de clássico?




