Tropa de Elite 2: 10 anos depois

Tropa de Elite 2 não é apenas um filme. É um acontecimento. O ano era 2010, ano de eleições presidenciais, a classe C era a dominante, o cinema brasileiro era valorizado e estávamos no auge da retomada (bons tempos!)

E também o país ainda colhia os louros do sucesso e impacto de Tropa de Elite, filme lançado em 2007 que foi polêmico dentro e fora das telas: o filme denunciava os abusos policiais nas favelas (outro assunto que ainda está em pauta) e vazou muito antes do seu lançamento, fazendo com que seu sucesso fosse maior na pirataria do que nos cinemas.

Para a continuação, foi montado um esquema quase militar (sem trocadilhos) para que o filme fosse visto unicamente nos cinemas no período que estivesse em cartaz. O resultado disso foi mais de 11 milhões de espectadores e até hoje é a 2ª maior bilheteria do cinema nacional, ficando atrás de Minha Mãe é Uma Peça 3 (na verdade o filme está em 4º lugar, mas não estamos considerando aqui Os 10 Mandamentos e Nada a Perder).

Tropa de Elite 2 tem um salto de tempo em relação ao primeiro filme e já começa com tudo: há uma rebelião no presídio Bangu I e o Bope foi chamado, mas também foi necessária a presença de Diogo Fraga (Irandhir Santos, ótimo como sempre), um representante dos Direitos Humanos para apaziguar a situação, mas não adiantou muita coisa: o Capitão André Matias (André Ramiro) matou o líder do Comando Vermelho, Beirada (Seu Jorge) e o caso gerou polêmica.

A imprensa e os Direitos Humanos detonaram a ação do Bope, mas parte da opinião pública apoiou a ação e o filme abre a discussão: afinal, bandido bom é bandido morto?

A partir daí o Capitão Nascimento (Wagner Moura, sempre ótimo!) vai trabalhar como sub-secretário de Inteligência na Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, mas o que era para ser uma promoção e um orgulho para sua carreira se torna seu maior pesadelo: Nascimento começa a ver o crescimento das Milícias nas favelas, a corrupção dentro do sistema, o interesse político e a manipulação das informações.

Não bastasse tudo isso, ainda tem que lidar com o desprezo do seu filho, já que sua ex-esposa, Rosane (Maria Ribeiro) está casada justamente com seu rival, Diogo Fraga.

José Padilha volta para a direção deste filme. Ele também escreve o roteiro junto com Bráulio Mantovani e aqui nota-se a maturidade do filme em relação ao anterior: é um filme mais sério, urgente e obviamente, com mais recursos.

A ação está caprichada, não perde nada para os grandes blockbusters hollywoodianos e o filme usa e abusa de sua técnica em favor da história, sobretudo pela excelente fotografia de Lula Carvalho e a Montagem de Daniel Rezende (indicado ao Oscar por Cidade de Deus e diretor de Turma da Mònica – Laços).

O filme também tem cenas marcantes, como a já citada cena de abertura, a morte impactante de grandes personagens, a surra que o Nascimento dá no deputado Guaracy e seu inesquecível desfecho, tanto na Câmara dos Deputados quanto a narração em off de Wagner Moura em um discurso que era relevante em 2010 e nos dias de hoje.

Tropa de Elite 2 é uma obra como poucas do nosso cinema: uniu qualidade, sucesso e crítica social. Teve a coragem de bater de frente com os poderosos, com os arrasa-quarteirões de Hollywood e permanece um inesquecível na mente dos brasileiros.

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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