Temporada final de Fuller House é um presente aos fãs

Quando a Netflix anunciou uma continuação de Full House ou Três é Demais como é mais conhecida aqui no Brasil, os sentimentos foram uma mistura de euforia em resgatar uma série querida e que se tornou parte da infância de muitos nos anos 1980 e 90, mas também um sentimento preocupação, já que parecia uma ideia de só capitalizar em cima de um sucesso do passado.

Mas em 2016 a Netflix estreava Fuller House e as opiniões foram mistas: muitos fãs que estavam órfãos gostaram, mas não foram poucos os que a criticaram, sobretudo pela falta de identidade e originalidade.

De fato, os primeiros episódios da 1ª temporada dependem muito da nostalgia com Full House, mas basta ver agora, com a 5ª e última temporada, que a série ganhou sua independência própria e uma nova legião de fãs.

As irmãs Olsen, por exemplo, que deram vida à Michelle na série clássica, não quiseram voltar para esta continuação (ou spin-off como preferirem) e a piada da ausência delas se repete à exaustão no início, mas depois a própria série já se acostumou com a ausência dela e agora Fuller House encerra seu ciclo de maneira fechada e sem se prolongar demais, o que é um grande feito no atual mercado e considerando que estamos falando de uma série de sucesso.

As confusões da família Tanner continuam, mas agora o ponto de vista foi diferente: ao invés do pai que cuida das 3 meninas, temos uma mãe, a DJ (Candace Cameron, sempre hilária) com 3 filhos, que além da ajuda da irmã Stephanie (Jodie Sweetin, igualmente hilária), tem a presença de Kimmy Gibbler (Andrea Barber, dona dos momentos mais cômicos da série) e sua filha Ramona (Soni Bringas, praticamente uma versão contemporânea da DJ dos anos 80 e 90).

Tanto a série clássica quanto esta aqui trabalharam sempre na questão da empatia, sem apontar o dedo e respeitando o conceito de família, mesmo que esta não seja obrigatoriamente pai e mãe. Isso foge do padrão do que entendemos como sitcom, mas também trabalha o que hoje chamamos de inclusão, afinal, os filhos de pai ou mãe solteiros se sentem representados em tela.

Assim como muitas séries de sucesso, a última temporada de Fuller House foi dividida em 2 partes: na primeira, vimos as consequências da gravidez e parto da Kimmy, que atuou como barriga de aluguel para sua amiga Stephanie, que tem dificuldade de engravidar. Já esta 2ª parte mostra as consequências do pedido de casamento que Steve faz para DJ (em um número musical espetacular) e que, na verdade, vai resultar em um casamento triplo entre os próprios DJ e Steve, Kimmy e Fernando, além da Stephanie com o Jimmy.

Em se tratando de Fuller House, muita coisa vai dar errada, mas assim como grandes histórias da humanidade, a jornada vale mais do que o resultado final.

Mas engana-se quem acha que essa 2ª parte seja focada unicamente nos casamentos: os filhos, por exemplo, são um elo importante, tanto os menores, mas principalmente os mais velhos com os dilemas da adolescência e hormônios. A Ramona já não é mais aquela menina das temporadas anteriores e aqui já lida com seu relacionamento e preocupações para o futuro, como a faculdade e mercado de trabalho.

Problemas comuns também para o Jackson, mas que lida de maneira oposta: não quer ir para a faculdade e tem dificuldades para se relacionar. O próprio Max, o filho do meio, tem que lidar com seu ego e as preocupações da idade.

E aqui nesta temporada, esse olhar para o futuro também não se esqueceu do passado, com diversas referências a filmes antigos, referência à série clássica, inclusive a algumas personagens clássicas como a própria Michelle ou à Tia Becky. Aliás, a famosa cena do carro que Stephanie dirigiu em Três é Demais é reproduzida aqui de forma incrível.

É injusto, porém, dizer que Fuller House parou no tempo ou que seja pautada na nostalgia. Ok, tem as risadas de fundo e tem o padrão de uma sitcom americana, mas basta ver alguns episódios (e são apenas 20 minutos cada episódio) para ver que estamos falando de uma série moderna, com o foco nas mulheres (e, portanto, feminista) que o público já se sente envolvido.

As piadas funcionam, a série é hilária em muitos momentos e que promove momentos deliciosos para seu espectador.

Seu desfecho não foi exatamente inovador, mas também longe da decepção do final de grandes séries (Game of Thrones, Lost, Dexter) mas respeitou o legado e carinho que muitos têm com esta série que muitos ficarão órfãos, muitos se envolvem e tiveram os personagens como seus amigos.

E isso não tem preço.

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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