“Ela Disse, Ele Disse” acerta em cheio na geração atual

No final de 2017, a comédia dramática Fala Sério, Mãe foi um inesperado sucesso de público, crítica e por uma série de fatores: era a adaptação de um livro de uma escritora de sucesso como a Thalita Rebouças, possuía uma fórmula irresistível para atingir a todos os públicos, de todas as idades e ainda tinha duas atrizes de sucesso como protagonistas: Ingrid Guimarães e Larissa Manoela.

Com isso, a indústria brasileira de cinema enxergou nas obras da Thalita Rebouças o potencial de que seus livros são ótimos não apenas para quem lê mas para adaptações para o cinema.

Em 2018, estreava uma nova adaptação de um livro seu: Tudo Por Um Popstar, desta vez com o roteiro da própria Thalita, e embora não tenha repetido o sucesso do filme anterior, se saiu muito bem.

E agora, em 2019, está chegando aos cinemas um novo filme baseado em uma obra da Thalita Rebouças: Ela Disse, Ele Disse.

O livro foi lançado em 2010 e, novamente, a própria Thalita está no roteiro, o que foi importante não apenas para deixar o mais fiel possível, quanto para atualizar sua trama para as novas gerações, pois em 2010, até existiam redes sociais ou smartphones, mas com menos força.

As duas obras se completam, o livro e o filme, mas este filme, assim como os anteriores, pode fazer com que uma geração descubra essa autora chamada Thalita Rebouças, suas obras e também outros autores e livros.

Quem dirige é a estreante Cláudia Castro (antes ela só havia trabalhado como Assistente de Direção) e o filme conta a história de Rosa (Duda Matte) e Léo (Marcus Bessa), dois jovens tímidos e que acabaram de chegar na nova escola. Não demora muito para que comece uma química entre os dois, mas outros fatores vão atrapalhar a convivência deles, como a concorrência, o bullying que Léo sofre dos valentões da escola, mas, principalmente, do ciúme da Júlia (Maisa), a garota mais popular do colégio e que vai fazer de tudo para separar os dois.

O filme é apresentado sob o ponto de vista de Rosa e Léo, inclusive com narrações em off, onde não é difícil a identificação, pois são jovens inseguros e sofrem toda a pressão da idade. Não bastasse isso, a família de ambos é um fator importante, porque além de nenhum dos dois terem a família “completa” (Rosa é órfã de pai e Léo é órfão de mãe), seus pais se apresentam aqui mais como amigos dos seus filhos e menos como a figura autoritária.

E quem nunca sofreu na escola e via na família um pouco de porto seguro?

A escola é um grande personagem do filme, já que a maioria das cenas foi feita lá, mas as cenas na casa dos protagonistas também são importantes para a empatia que o público vai ter, independentemente da faixa etária.

Sem contar que o filme está estreando no momento certo e na hora certa: quando muito se discute sobre autoritarismo e censura, o filme tem a figura da diretora da escola, a Madalena (Maria Clara Gueiros), que não permite qualquer tipo de carícia, de “comportamento inadequado” e até um beijo é passível de suspensão.

A jovem Duda Matte se destaca no papel de Rosa, de fato enxerga-se um peso dramático nela. Não que a restante do elenco esteja ruim, muito pelo contrário, mas nada que se destaque no meio da multidão.

Por exemplo, a Maísa até se esforça como sua primeira antagonista, mas não escapa de seus trejeitos como na TV, embora o marketing do filme foque mais nela.

Duda é mais atriz e Maisa é mais estrela, o que não está errado, já que os astros e estrelas sempre se renovam.

Marcus Bessa estava claramente inseguro em seu papel, mas sua atuação não compromete, o que não se pode dizer de Giulia Ayumi e Maria Cecília Warpe como as amigas Carol e Luana, que são o alívio cômico que não tem graça e o filme praticamente interrompe sua trama para uma piada ou comentário de uma das duas. E nenhum é relevante.

O filme ainda tem a presença da Fernanda Gentil em sua estreia no cinema como a mãe da Rosa. Na verdade, Fernanda faz o papel dela mesma como na TV ou na vida real: é engraçada quando deve ser, a pessoa espontânea que sempre é e a mãezona da vida real com seus dois filhos.

Quem for mais velho pode achar este filme desinteressante e tolo, mas possui uma fórmula irresistível para o público adolescente, seja pelo seu elenco conhecido, o envolvimento emocional ou a identificação com a história.

Thalita escreve sobre a juventude como poucos e este pode ser o filme da adolescência de muita gente, assim como os filmes da Sessão da Tarde foram para a geração dos anos 80 e 90.

Ela Disse, Ele Disse tem o seu charme, é o mais fraco dos filmes adaptados de uma obra da Thalita até agora, mas ainda assim, muito interessante.

Não é nenhuma obra do John Hughes (Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado), mas está longe de umas comédias adolescentes de gosto duvidoso que Hollywood costuma fazer.

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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