É perdoável dizer que não se esperava nada de O Homem Perfeito, nova comédia do cinema brasileiro. Aliás, só em colocar as palavras “comédia” e “cinema brasileiro” na mesma frase já bate um desânimo, sobretudo com alguns exemplares do gênero de gosto duvidoso. Só para citar 2018 mesmo, tivemos Os Farofeiros, O Candidato Honesto 2 e Crô em Família.
Mas é sempre bom ser surpreendido: O Homem Perfeito parece mais uma comédia que você já viu antes e com a linguagem televisiva, mas a boa notícia é que o filme é surpreendentemente bacana, divertido, com um roteiro inteligente e tecnicamente é muito competente, embora ele esteja longe de ser perfeito.
Na história, Luana Piovani vive Diana, uma mulher na faixa dos 40 anos e bem-sucedida financeiramente que escreve livros de biografias para artistas famosos e, assim, construir uma imagem mais próxima para o grande público.
Logo no começo do filme ela descobre que seu então marido, o quadrinista Rodrigo (Marco Luque), a trai com uma aspirante a bailarina Mel (Juliana Paiva), mas logo surge um trabalho promissor para Diana, que é escrever uma biografia do Caíque (Sérgio Guizé) e tirar a imagem de arrogante que o público tem dele.
Quem dirige o filme é Marcus Baldini (que também dirigiu Bruna Surfistinha, por exemplo) e aqui faz uma direção interessante dos atores, embora os mesmos apresentem certos estereótipos: Diana é mais apegada ao trabalho, Rodrigo é o artista que é contra o sistema, Caíque é arrogante e sem escrúpulos e Mel é a dançarina sonhadora.
A ideia é, obviamente, atingir a todos os públicos, classes sociais e ideologias, já que o filme apresenta uma protagonista bem-sucedida e em locações na parte nobre de São Paulo, o roteiro tratou de encaixar também as artes ou a camada menos favorecida da sociedade na pele do Rodrigo e da Mel.
Sem contar que o filme corre o risco de ficar datado: como a grande maioria dos filmes do gênero brasileiro, O Homem Perfeito fala muito com a geração atual e com a linguagem de hoje e isso não foi um elogio, já que os personagens estão sempre conectados nas redes sociais.
Mas O Homem Perfeito tem suas qualidades, méritos e competências: mesmo as cenas em que os personagens interagem nas redes, são bem produzidas, com os textos, interações e fotos saltando na tela.
Aliás, nota-se o bom trabalho de produção com o filme, seja com as locações em São Paulo e Holambra ou o bom trabalho técnico de Montagem e com bons planos.

E O Homem Perfeito diverte muito, apesar de a escolha dos personagens (e até dos atores) possa parecer panfletária, o público sim, vai se identificar com os personagens e com os dilemas, seja com a separação ou a busca pelo reconhecimento e sucesso.
O elenco está bem, a química entre os atores é muito visível e o destaque fica para o elenco feminino: Juliana Paiva rouba o filme como a moça sonhadora e idealista e Luana Piovani mostra que sabe fazer comédias e não é de hoje. Como não lembrar de filmes como O Homem Que Copiava, A Mulher Invisível ou O Casamento de Romeu e Julieta.
O Homem Perfeito promete fazer muito sucesso e levar multidões ao cinema. Se acontecer será muito positivo para a indústria, embora exista o lado positivo e negativo nisso: incentiva o financiamento para novos filmes brasileiros, mas podem vir pérolas como Crô ou Os Farofeiros. É esperar para ver.

