Inimigo do Estado é um legítimo blockbuster: tem grandes astros, grandes nomes envolvidos, produção caprichada, ritmo eletrizante e uma trama que prende o espectador até o final, mas na época do lançamento foi um sucesso razoável: custou 90 milhões e faturou 250 nas bilheterias mundiais, ou seja, se pagou e não deu prejuízo, mas não foi o suficiente para um sucesso de fato.
Mesmo hoje em dia, passados 20 anos de seu lançamento, Inimigo do Estado permanece quase que esquecido, mas não deveria: é um thriller de ação feito com muita competência e tem um tema que fala muito com o mundo de hoje, que é a falta de privacidade.
O filme começa com um prólogo: um congressista deseja passar para o congresso americano uma lei de segurança, que consiste em legalizar a vigilância feita pela CIA, FBI ou NSA em lares ou estabelecimentos e conversa sobre o projeto com um membro da NSA. Os dois discordam e o congressista acaba assassinado, mas um biólogo filma tudo acidentalmente e é perseguido.
Durante a fuga, ele joga as provas na sacola de compras do advogado Robert Clayton (papel de Will Smith) e este passa a ser perseguido pelo sistema. Só quem consegue ajudá-lo é Edward Lyle (Gene Hackman), ex-integrante da NSA e, neste cenário, começa uma desesperada busca pela sobrevivência e pela verdade.
Quem dirige o filme é o saudoso Tony Scott, que faz uma direção competente e eficiente, sobretudo com as grandiosas cenas de ação e na condução do elenco.
Will Smith já era um astro na época, vinha dos sucessos de Independence Day e Homens de Preto e, embora o filme se sustente sozinho, também vai muito do carisma do astro e por se tratar de uma história de conspiração política, a empatia com o protagonista é fundamental.
Gene Hackman também arrebenta e tem grande química com Will, embora ele demore a aparecer, mas o segundo e terceiro atos dependem de algumas ações do personagem.
O elenco também conta com Jon Voight como um dos líderes da NSA e está ótimo como sempre, mas não deixem de prestar atenção em 3 atores que estavam em início de carreira na ocasião e se tornaram famosos, como Jack Black interpretando um funcionário da NSA, além de Jason Lee como o biólogo e a nossa querida Anna Gunn, a Skyler de Breaking Bad.
A produção de Inimigo do Estado é de Jerry Bruckheimer, o que não é muito difícil de perceber: há grandes planos e sequências de perseguições que tiram o fôlego do espectador e não ficaram datadas, pelo contrário, a ação excelente, pois o ritmo do filme é bom e mal dá para perceber que se trata de um longa de mais de 120 minutos.
Mas, para nós, cidadãos do século 21, o que fica na cabeça ao assistir Inimigo do Estado é a preocupação e discussão sobre a privacidade na rede. Será que governo e organizações estão preocupados com a segurança de fato ou só querem nos espionar?
Este filme já declarou seu lado, pois aqui acompanhamos o ponto de vista de um civil e a organização é a vilã, mas a discussão vai longe.
O filme pode não ser perfeito (faltou uma discussão maior sobre este tema tão explosivo), mas ver um produto de ação com cérebro, com um grande astro e com o mesmo impacto é algo que exige, no mínimo, respeito, além da saudade com o diretor Tony Scott.
