40 anos de O Iluminado

Stanley Kubrick era dos maiores mestres do cinema e dos maiores cineastas que o mundo já viu. E isso não é apenas pela qualidade dos seus filmes, mas também porque quase todos os gêneros têm um filme do Kubrick entre os melhores, sejam os filmes de guerra (Glória Feita de Sangue, Nascido Para Matar), Comédia (Doutor Fantástico), Ficção Científica (2001 – Uma Odisseia no Espaço), filmes mais ousados (Lolita, De Olhos Bem Fechados), Épicos (Spartacus, Barry Lyndon), drama (Laranja Mecânica) e em qualquer lista dos melhores filmes de terror da história está O Iluminado.

O filme é baseado no livro Stephen King que sempre revelou que não gosta deste filme, principalmente porque é uma obra totalmente diferente, apesar de a ambientação e personagens serem os mesmos.

Na história, Jack Torrance (Jack Nicholson, em um de seus melhores papeis da carreira) vai junto com seu filho, Danny (Danny Lloyd) e sua esposa, Wendy (Shelley Duvall, excelente) ao Hotel Overlook para trabalhar como zelador durante a temporada de inverno. Como a neve é alta e o acesso é difícil, o hotel fica praticamente vazio e somente os três habitam por lá. Ou será que não?

Jack começa a conversar com pessoas que claramente não existem, começa a mudar de comportamento, afetando a convivência com seu filho, mas principalmente com sua esposa, que é a maior afetada pela mudança, sofrendo física e psicologicamente.

É loucura ou sobrenatural? O filme flerta com esses dois paradigmas, deixa essa dúvida o tempo todo e este é um dos atritos entre os fãs do Kubrick e do King: o livro claramente leva o leitor ao lado sobrenatural e até da fantasia, mas o filme preferiu deixar a ambiguidade, deixando mais perguntas do que respostas, até mesmo com o que se vê em tela.

Outro motivo que torna Kubrick um diretor único é a sua obsessão pelo perfeccionismo. Isso pode ter um ponto positivo como na qualidade dos seus filmes, mas também há um ponto negativo, principalmente pelo péssimo tratamento que a atriz Shelley Duvall sofreu no set de filmagem, seja com o diretor mandando todos da equipe a destratarem para ela ficar acuada ou pela famosa cena em que Kubrick a fez fazer 127 vezes a mesma coisa.

Mas apesar desse clima hostil no set de filmagem e que foi muito bem retratado no documentário feito por Vivian, filha de Kubrick, e que está no blu-ray do filme, após as filmagens foram só elogios por parte dos dois.

E o que dizer das cenas clássicas e famosas de O Iluminado? Logo no início temos a tomada aérea com uma trilha sonora espetacular, além da cena do arrepiante trailer do elevador banhado a sangue. Como não lembrar dos momentos no corredor do hotel, com o garoto Danny andando de triciclo e se deparando com as duas meninas gêmeas arrepiantes, ou ainda quando Wendy descobre o que seu marido escreve na máquina de escrever enquanto está “trabalhando”.

E por falar no casal, o momento em que Wendy está com o taco de beisebol se protegendo do seu marido violento é arrepiante até hoje. Aliás, foi esta cena que Kubrick fez Shelley repetir mais de 100 vezes.

Mas a cena mais conhecida do filme é o célebre Here’s Johnny, que assim como boa parte do filme, virou referência, é copiada, mas jamais superada. Foram usadas 70 portas diferentes (!) e o resultado ficou o mais assustador possível.

Mas se hoje O Iluminado é um clássico incontestável, na época não foi bem assim: a crítica ficou dividida, mas o absurdo inexplicável foram as duas indicações para a Framboesa de Ouro, pior direção e atriz. Felizmente saiu de mãos vazias, mas este filme é muito mais lembrado, por exemplo, do vencedor do Oscar daquele ano, Gente Como a Gente.

O Iluminado é dos melhores filmes de terror do cinema, gerou uma continuação, Doutor Sono, na literatura em 2013 e nos cinemas em 2019, teve uma bela homenagem em Jogador Número 1 em 2018 e seu legado será sempre eterno.

Nerd: Raphael Brito

Não importa se o filme, série, game, livro e hq são clássicos ou lançamentos, o que importa é apreciá-los. Todas as formas de cultura são válidas e um eterno apaixonado pela cultura pop.

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