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	<title>Arquivos Autoral - Universo 42</title>
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	<description>Salvando sua vida do tédio moderno</description>
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		<title>Fire Emblem Engage e 30 anos dessa história</title>
		<link>https://u42.com.br/fire-emblem-engage/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Matheus Farina]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2025 21:43:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoral]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Games & Diversão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes de falar de Fire Emblem Engage, um pouco de contexto. Lá pra idos de 2004 eu fui apresentado ao maravilhoso mundo da emulação. Um amigo me emprestou um CD com uma pasta chamada GBA, um executável que tinha o ícone do famoso Game Boy Advance roxo, e uma pasta chamada ROMs onde haviam arquivos [&#8230;]</p>
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<p>Antes de falar de Fire Emblem Engage, um pouco de contexto. Lá pra idos de 2004 eu fui apresentado ao maravilhoso mundo da emulação. Um amigo me emprestou um CD com uma pasta chamada GBA, um executável que tinha o ícone do famoso Game Boy Advance roxo, e uma pasta chamada ROMs onde haviam arquivos de Pokémon Saphire e Pokémon Ruby. Foram bons meses jogando ambos, discutindo times na escola, estratégias e até teorias sobre um possível novo jogo. Aquele emulador foi minha vida por, acho que é seguro afirmar, alguns anos.</p>



<p>Uma das graças do emulador, quando eu descobri isso, é que eu não estava preso àquelas ROMS que eu tinha recebido. Eu podia conseguir mais arquivos! E, eu não vou abordar nesse texto toda a questão da legalidade da emulação, mas eu embarquei em uma jornada muito da interessante, e houveram alguns jogos que prenderam a minha atenção. Um deles foi Final Fantasy Tactics Advance e outro, no mesmo estilo de combate, mas muito mais simples no quesito gráfico, foi um tal de Fire Emblem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><a href="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Design-sem-nome2.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Design-sem-nome2-1024x576.png" alt="Imagem do Gameboy Advance, em sua tela, uma cena de Fire Emblem The Sacred Stones" class="wp-image-48255" style="width:653px;height:auto" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Design-sem-nome2-1024x576.png 1024w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Design-sem-nome2-300x169.png 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Design-sem-nome2-768x432.png 768w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Design-sem-nome2-1536x864.png 1536w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Design-sem-nome2-2048x1152.png 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Fire Emblem The Sacred Stones &#8211; Na época, emulado, hoje está no Nintendo Switch Online!</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">30 anos de história</h2>



<p>O jogo que eu joguei no Emulador era Fire Emblem, de 2004. Esse era, na verdade, uma entrada de uma franquia de 14 anos antes, lançada exclusivamente no Japão, da Intelligent Systems. Fire Emblem foi mais um dos jogos japoneses que ficaram de fora do ocidente por que julgaram que o jogo era muito complicado para vir para cá. Só sendo lançado quando os fãs ocidentais demonstraram interesse pelo personagem Marth, que era um dos personagens jogáveis de Super Smash Bros. Melee, de 2001.</p>



<p>O jogo era simples, não negava as origens do Famicom nem exigia demais do hardware do portátil Game Boy. O mapa era visto de cima, as sprites dos personagens eram simples e demonstravam o design eficaz que só a limitação nos proporciona. Rapidamente o jogo deixa claro que a história é o ponto forte, mas a jogabilidade possui uma profundidade própria, com o seu triângulo de armas deixando o jogo bem estratégico. Espada bate Machado, Machado bate Lança, Lança bate Espada. Simples, certo?</p>



<p>Essa simplicidade é justamente o brilho que sustentou a saga por três décadas. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A jornada até aqui</h2>



<p>Desde o Famicom, Fire Emblem teve jogos lançados para quase todos os consoles principais da Nintendo, faltando apenas o 64 e o Wii U, mas se beneficiou muito dos consoles portáteis da empresa, tendo grande sucesso no que quase foi o último jogo da série, Fire Emblem Awakening, de 2013 para o 3DS.</p>



<p>Em julho de 2019, a Intelligent Systems lançou Fire Emblem Three Houses para o Nintendo Switch. Um ano depois, o mundo entraria em um período complicado, e o Switch se tornaria ainda mais popular no período de isolamento. O que fez com que muitas pessoas tivessem um primeiro contato com esse que foi um jogo extremamente bem recebido, por sua história rica e personagens marcantes.</p>



<p>Mas até agora não entramos no assunto principal desse texto, não é mesmo?</p>



<p>Pois bem. Em 2023 a Intelligent Systems lançou para o Switch mais um jogo da série Fire Emblem. Denominado Fire Emblem Engage, esse jogo trazia como diferencial a bagagem de ter toda a história de 3 décadas de Fire Emblem consigo. Aproveitanto o que Three Houses havia trazido de bom para a série, e melhorando o que já era tido como bom na série! Apenas sucesso, certo? Eu, pelo menos, pensava isso.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Fire-Emblem-Engage-Poster.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Fire-Emblem-Engage-Poster-1024x576.jpg" alt="Poster de Fire Emblem Engage" class="wp-image-48256" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Fire-Emblem-Engage-Poster-1024x576.jpg 1024w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Fire-Emblem-Engage-Poster-300x169.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Fire-Emblem-Engage-Poster-768x432.jpg 768w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Fire-Emblem-Engage-Poster-1536x864.jpg 1536w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Fire-Emblem-Engage-Poster.jpg 1800w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Os cabelos são esquisitos&#8230; mas tem explicação, Eu não disse que é boa&#8230;</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">A isca da nostalgia</h2>



<p>A premissa de Engage se dá com os anéis dos antigos heróis. Cada anel carrega consigo o espírito de um herói de outro mundo. Marth, o protagonista do primeiro Fire Emblem, é o espírito guardião do anel de Alear, nosso personagem jogável. Alear que pode ser do sexo masculino ou feminino (o que, verdade seja dita, impacta pouco ou nada) é filha da Dragão Divino Lumera, sendo ela mesma um dragão.</p>



<p>Alear desperta após mil anos, tendo caído na luta contra o Dragão Caído Sombron. Na companhia de duas crianças e um cavaleiro que atuavam como seus guardiões durante esse sono, Alear só sabe invocar o espírito de Marth de seu anel, e, juntos, Alear e Marth conseguem afastar a ameaça que se aproxima deles e de Lumera, usando os aneis dos herois de outrora, realizando fusões com Marth, Lyn, Roy, Sigurd e outros herois da série, ao todo, são 12 emblemas que acompanham a jornada. No continente de Elyos, 6 ficavam sob os cuidados de Lumera, e outros 6 estavam com os nobres dos reinos.</p>



<p>É fácil enxergar como, caso você seja nostálgico da série, esse argumento pode ser interessante para te trazer para FE Engage. É uma nova chance de rever e rejogar com os personagens clássicos que você não vê, muitas vezes, há mais de dez anos. Eu passei sete parágrafos no começo desse texto para falar sobre como a história e a jogabilidade são pontos importantes dessa franquia. Fire Emblem Engage refina e muito a jogabilidade da série, o jogo é mais fluido, o combate mais rápido, dinâmico e bem agradável, se você veio de Fire Emblem Three Houses, vai aproveitar bastante&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Alear.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="512" src="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Alear-1024x512.jpg" alt="" class="wp-image-48257" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Alear-1024x512.jpg 1024w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Alear-300x150.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Alear-768x384.jpg 768w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Alear-1536x768.jpg 1536w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Alear-319x160.jpg 319w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Alear.jpg 2000w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Saudades Byleth 💔</figcaption></figure>
</div>


<p>Mas a história&#8230;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Os problemas&#8230;</h2>



<p>A história é fraca. </p>



<p>Não apenas isso, é uma queda de qualidade vertiginosa perto do que foi o antecessor. Three Houses tinha uma história aprofundada guiada por personagens interessantes, ricos e com mais do que uma camada. Tudo isso parece que foi perdido em Fire Emblem Engage.</p>



<p>Existem reviravoltas na história. Sim, mas elas são fracas. Os personagens não são interessantes o suficiente para sustentar a jornada. O que é um problema para um jogo que se baseia em pouco mais de 20 batalhas táticas, coladas pela história.</p>



<p>Os aneis de Engage, trazem mais uma camada de profundidade no combate. Fora dele, representam a motivação da jornada de Alear. Jornada essa que se extende por aproximadamente 40 horas, talvez um pouco mais. Alear precisa evitar que Sombron ressurja, e corrompa os anéis e seus herois. Ao longo da jornada, vai encontrar aliados, inimigos, sofrer perdas e traições e encontrar novos companheiros em lugares improváveis. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem Spoilers!</h2>



<p>Apesar do jogo ter dois anos de idade, eu não sou fã de fazer Spoiler em texto de resenha. Mesmo que eu esteja aqui ativamente falando que a história é a parte fraca do jogo, não vou propositalmente estragar a experiência de ninguém.  Mas o que acontece com essa jornada dos emblemas, até mesmo o desfecho de Alear, é de fazer o jogador que estava esperando mais da história fazer a cara do Michael Scott.</p>


<div class="wp-block-image wp-duotone-grayscale">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/the-office-michael-scott.gif"><img decoding="async" width="498" height="238" src="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/the-office-michael-scott.gif" alt="Michael Scott fazendo cara de sofrimento" class="wp-image-48258"/></a></figure>
</div>


<p>Outra questão, e aí vem do mal da expectativa, é que desde FE Awakening, do 3DS, Fire Emblem implementou mecânicas sociais que, em Three Houses, chegaram a um ponto que muitas pessoas (eu incluso) consideram ótimo. Em Fire Emblem Engage, existem os níveis de Supports, que representam as relações entre os personagens, cada nível tem uma historinha acompanhando, em geral, seguem a estrutura de:</p>



<p><strong>C</strong> &#8211; Personagens interagem inicialmente;<br><strong>B</strong> &#8211; Personagens tem algum tipo de conflito<br><strong>A</strong> &#8211; Persongens resolvem o conflito e se tornam companheiros</p>



<p>O problema é que isso tudo é tão raso&#8230; Mesmo as atividades que os personagens realizam em Somniel (o castelo voador onde Alear dormia) não aprofundam muito os personagens, apenas trazem alguns mini jogos, ou cenas de interação. Tudo o que não é batalha, nesse jogo, é tão mais fraco que o que a Intelligent Systems já nos entregou que é complicado de engolir.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Somniel.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="536" src="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Somniel-1024x536.jpg" alt="Alear acariciando a criatura que também se chama Somniel, em Somniel" class="wp-image-48259" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Somniel-1024x536.jpg 1024w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Somniel-300x157.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Somniel-768x402.jpg 768w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Somniel.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Acabou uma batalha super emocionante? Minigames em Somniel antes de outra batalha emocionante! </figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">A parte boa&#8230;</h2>



<p>Fire Emblem Engage se sustenta em dois principais pilares, um dos quais eu passei os últimos parágrafos reclamando bastante. Já o outro&#8230;</p>



<p>Bom, a jogabilidade é o ponto alto do jogo. Nesse ponto, Tsutomu Tei e Kenta Nakanishi souberam trabalhar e muito bem. Os diretores do jogo não são novos na franquia Fire Emblem, mas foi o primeiro jogo que dirigiram. Conseguiram mostrar conhecimento da estrutura das batalhas, trazendo dinamismo, emoção e estratégia ao combate tático, estilo que poderia facilmente ficar moroso sem o devido cuidado. </p>



<p>As melhorias de qualidade de vida introduzidas em jogos anteriores da série, como modo Casual e replay de turnos, permanecem presentes, e eu me peguei utilizando mais de uma vez o replay de turnos para não perder uma unidade que eu havia colocado em uma situação perigosa, uma vez que a série Fire Emblem é famosa por seu modo de morte permanente de unidades.</p>



<p>Os emblemas aqui oferecem mais possibilidades ao jogador, que pode ter uma unidade de lança, por exemplo, se tornando uma unidade de machado com um bônus avassalador e um golpe poderosíssimo, além de uma habilidade especial que pode ser usada como se fosse um Ultimate, e, muitas vezes, vai decidir uma luta mais difícil, ou quebrar a barra de energia inteira do oponente.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Emblem.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="512" src="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Emblem-1024x512.jpg" alt="Byleth, personagem de Fire Emblem Three Houses, como espírito do Emblema de Engage" class="wp-image-48260" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Emblem-1024x512.jpg 1024w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Emblem-300x150.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Emblem-768x384.jpg 768w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Emblem-319x160.jpg 319w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Byleth-Emblem.jpg 1140w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Byleth usa a Sword of the Creator em seu Paralogue e em Three Houses, em Engage ele usa&#8230; SOQUEIRAS</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Faca de dois gumes</h2>



<p>O jogo abusa da mecânica de quebra, permitindo que os jogadores usem o triângulo de armas para evitar contra ataques e rodeando os oponentes, para que mais golpes em cadeia sejam realizados. É claro que os oponentes também podem utilizar essas mecânicas, e, se você não tomar cuidado, vai ver seus personagens rapidamente ficando sem pontos de vida, quando um oponente quebra a sua postura, e outros tantos aproveitam a brecha para atacar sem risco. É verdadeiramente assustador quando acontece.</p>



<p>Ativar o Engage na batalha também modifica a aparência do personagem, muitas vezes ganhando uma aura de espadas, levitando no campo e, em um caso muito específico (e incômodo, admito) ganhando turbinas a jato! Os oponentes também possuem emblemas Engage em determinadas lutas, o que aumenta a complexidade.</p>



<p>Existem ainda, para os saudosos, batalhas de Paralogue, que servem para aprofundar o seu laço com os heróis dos anéis. Essas batalhas são reencenações de batalhas clássicas dos jogos de onde os personagens vieram. Então, no meu caso, foi extremamente satisfatório reviver a Batalha da Tumba Sagrada de Fire Emblem Three Houses, para desbloquear o nível máximo com Byleth.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Conclusões</h2>



<p>Eu comprei Fire Emblem Engage na semana de lançamento empolgado por Three Houses, e tive baques com a qualidade da história e dos personagens. Mas, o combate é extremamente satisfatório. O bastante para me empolgar e retornar ao jogo e finalizar ele.</p>



<p>Fico no aguardo dos próximos jogos da Intelligent Systems, e espero que tragam novamente artistas como Toshiyuki Kusakihara e Genki Yokota na direção dos projetos. Esse último foi produtor de jogos muito bons como Xenoblade Chronicles X desse ano. Então ao menos podemos esperar que ele saiba o que está fazendo.</p>



<p>Recomendo que quem gosta da série jogue o antecessor, Three Houses, mas, se quiser mais batalhas e não ligar tanto para a história, pode experimentar Engange que, pelo menos no quesito combate tático, o jogo ainda performa muito bem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fire-emblem-engage-emblem-ring-heroes.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="512" src="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fire-emblem-engage-emblem-ring-heroes-1024x512.jpg" alt="Arte dos herois dos emblemas em estilo de mural " class="wp-image-48261" srcset="https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fire-emblem-engage-emblem-ring-heroes-1024x512.jpg 1024w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fire-emblem-engage-emblem-ring-heroes-300x150.jpg 300w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fire-emblem-engage-emblem-ring-heroes-768x384.jpg 768w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fire-emblem-engage-emblem-ring-heroes-1536x768.jpg 1536w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fire-emblem-engage-emblem-ring-heroes-319x160.jpg 319w, https://u42.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fire-emblem-engage-emblem-ring-heroes.jpg 1800w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">30 anos de história, ainda tem lenha pra queimar nessa franquia!</figcaption></figure>
</div>


<p><strong>Ficha Técnica:</strong><br><strong>Nome</strong> &#8211; Fire Emblem Engage<br><strong>Lançamento</strong> &#8211; 20/01/2023<br><strong>Desenvolvedora</strong> &#8211; Intelligent Systems<br><strong>Diretor</strong> &#8211; Tsutomu Tei, Kenta Nakanishi<br><strong>Jogado em</strong> &#8211; Nintendo Switch</p>



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		<title>Novo Nerd agora é UNIVERSO 42</title>
		<link>https://u42.com.br/novo-nerd-universo-42/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Mar 2021 16:13:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em setembro de 2013, Guilherme Goulart e eu decidimos criar um site para falar além de Game Of Thrones. Oito anos depois estamos ampliando o site, juntando o Novo Nerd, Hacking de Conteúdo e alguns outros projetos, com a intenção de falar de assuntos ainda mais variados. Sendo assim, o Novo Nerd agora passa a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em setembro de 2013, <a href="https://u42.com.br/bem-vindo-ao-novo-nerd/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Guilherme Goulart e eu decidimos criar um site</a> para falar além de <strong><a href="https://www.facebook.com/GameOfThronesBrazil" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Game Of Thrones</a></strong>. Oito anos depois estamos ampliando o site, juntando o <strong><em><a href="https://www.novonerd.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Novo Nerd</a></em></strong>, <strong><em><a href="https://hackingdeconteudo.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Hacking de Conteúdo</a></em></strong> e alguns outros projetos, com a intenção de falar de assuntos ainda mais variados. Sendo assim, <strong>o Novo Nerd agora passa a se chamar <em>UNIVERSO 42</em>.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Por quê Universo 42?</h2>



<p>Com a visão de expansão, optamos em usar Universo, pois este está sempre em expansão. E para não perdemos a essência da cultura geek / nerd que originou o site, usamos o número 42: remetendo ao Guia do Mochileiro das Galáxias, que além de ter ligação com UNIVERSO, fornece a &#8220;resposta para a vida, o universo e tudo mais: 42&#8221;.</p>



<p>Além de tudo, visamos desvincular a imagem do termo &#8220;nerd&#8221; que é tão usando em vários sites, diferenciando o projeto entre tantos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Os conteúdos do Universo 42 serão os mesmos do Novo Nerd?</h2>



<p>Todos os temas que eram abordados no Novo Nerd continuarão sendo discutidos dentro do Universo 42. Apenas iremos adicionar novos temas tais como: Criatividade, Marketing, Negócios, Empreendedorismo e quaisquer outros que os colaboradores do site queiram explorar.</p>



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		<title>Leia enquanto ainda pode</title>
		<link>https://u42.com.br/leia-enquanto-ainda-pode/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Napoli]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jan 2020 15:59:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoral]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Elon Musk]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica literatura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Deixa eu te contar uma coisa: não podemos mais pensar. Quem disse que penso, logo, existo, não tinha a menor ideia da merda que estava falando. Minhas mãos estão ensanguentadas. O sangue é meu. E na palma da minha mão, seguro um pequeno fio com um chip minúsculo na ponta. Eles sabem de tudo. Eles [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Deixa eu te contar uma coisa: não podemos mais pensar. Quem disse que penso, logo, existo, não tinha a menor ideia da merda que estava falando.<br><br>Minhas mãos estão ensanguentadas. O sangue é meu. E na palma da minha mão, seguro um pequeno fio com um chip minúsculo na ponta. <br><br>Eles sabem de tudo. Eles sempre souberam de tudo. A merda toda começou com vazamentos acidentais de informações, quando eles descobriram que podia influenciar os humores das pessoas apenas escolhendo que tipo de notícia e imagens elas veriam por um certo período de tempo. E quem dava a informação toda era a gente, na maior inocência de quem vive numa bolha que não corre o menor risco de estourar.<br><br>Daí vazaram informações de mais de cinquenta milhões de pessoas. Dizem que aquilo mudou o resultado das eleições, porque o sistema aprendeu o que fazer para influenciar decisões de pessoas. O mundo ficou perplexo, mas depois foram esquecendo, como sempre acontece. Todo mundo dentro da maldita bolha. <br><br>Quando abriram ao mundo a história do projeto Neuralink, todo mundo achou o máximo. &#8220;É do cara que mandou um carro pro espaço, porra. Isso é genial&#8221;. E era genial mesmo, a gente só não sabia pra quem. <br><br>Não demorou para o implante chegar nas redes públicas de saúde. Eu nunca vi uma coisa chegar tão rápido e ser tão eficiente no sistema público de saúde. Mas tava todo mundo feliz, porque tava tudo ali ó, na palma da mão. <br><br>Quer comprar um refrigerante? Você instantaneamente sabia pra onde ir pra comprar o mais barato. Quer a comida mais gostosa? Que coincidência, por acaso esse lugar é do lado da minha casa! <br><br>As pessoas estavam felizes. Extasiadas. Não tinham mais que pensar para fazer porra nenhuma. Não precisavam escolher. Elas não pensavam. Existiam.<br><br>Mas até aí ninguém sabia. Ninguém sabia que no começo era só um teste. <br><br>Propagandas políticas passavam na TV. De repente aquele malandro de terno parecia um conhecido seu, alguém elegante e bondoso. Alguém que você conhece e sabe que é gente boa. Mas no dia seguinte você não podia suportar o cara na TV.<br><br>Passei do lado de uma loja de televisores uma vez, onde um grupo de três pessoas arrebentou a vitrine e arrancou os aparelhos de lá. Eles socavam a tela sem se importar com os cortes nos nós dos dedos. Eles nem viam o sangue. No dia seguinte eu vi os três dentro da loja, vendendo os mesmos modelos de televisores. <br><br>Uma noite eu acordei com dor de cabeça, e meus olhos se mexiam depressa. Eu não parava de piscar. Acho que tive uma convulsão, sei lá. Mas de repente eu vi tudo. <br><br>Meus pais não tinham expressão nenhuma. Eu os chamei pelo nome e eles nem olharam&nbsp; pra mim. Olhavam pra TV. Estava ligada na campanha eleitoral e eles olhavam pra tela balançando a cabeça enquanto o cara de terno falava baboseira sobre transporte público. <br><br>Meus pais não eram mais humanos, e eu entrei em pânico quando constatei isso. E quando saí de casa, vi que o mundo inteiro estava assim. Pela rua, eram todos sorrisos e cumprimentos, frases prontas de partido político pra lá e pra cá.<br><br>Fiquei 3 dias no quarto, com minha cabeça doendo, pensando em como tinha feito o implante. O fio era fino como um fio de cabelo, não dava pra saber qual era o do implante. Acreditem, eu tentei. <br><br>Arranquei fios e mais fios de cabelo. Comecei a arrancar tufos e olhava as pontas para ver se eram bulbo capilar ou chip. <br><br>Minha cabeça sangrou. Eu gritei e chorei, mas meu pais não vieram me ver. Já não eram meus pais. <br><br>Eu arranquei quase tudo. Tinha cabelo no chão, nas minhas pernas, grudados no meu rosto. Mas eu encontrei o filho da puta. Um fio minúsculo. Puxei com toda a minha força, e era como se estivesse tentando espremer meu cérebro por aquele minúsculo buraco.<br><br>Minhas mãos estão ensanguentadas. O sangue é meu. E na palma da minha mão, seguro um pequeno fio com um chip minúsculo na ponta. <br><br>Eu chorei, porque eu consegui. Eu choro agora, porque penso, logo, sou livre. Eu choro agora porque eu sei. </p>



<p>Eu sei que eles estão vindo me buscar.<br></p>
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		<title>Hell Breaks Loose</title>
		<link>https://u42.com.br/hell-breaks-loose/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Napoli]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Aug 2014 20:46:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoral]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[adventure]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[Casmurro]]></category>
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		<category><![CDATA[rpg]]></category>
		<category><![CDATA[tormenta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fala galerê, Nerd! Aqui estou eu novamente com mais uma crônica para vocês. Escrevi isso há uns dois anos e nunca tive coragem de postar. De novo, a história é baseada nos meus personagens criados para o ~vício~  Tormenta RPG. Espero que gostem! P.s.: Escrevi ouvindo a música To Glory do Two Steps From Hell [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>Fala galerê, Nerd! Aqui estou eu novamente com mais uma crônica para vocês. Escrevi isso há uns dois anos e nunca tive coragem de postar. De novo, a história é baseada nos meus personagens criados para o ~vício~  Tormenta RPG. Espero que gostem!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>P.s.: Escrevi ouvindo a música To Glory do Two Steps From Hell (&lt;3).  Aconselho ouvirem enquanto leem, pra entrar na ~vibe~.</em></p>
<p style="text-align: center;">______________________________________________________________________________________________________</p>
<p style="color: #000000;">Escondido atrás das árvores, lá estava ele espiando os soldados andarem de um lado para o outro na frente dos portões.</p>
<p style="color: #000000;">Seu cavalo relinchou atrás dele, estava começando a ficar impaciente, afinal, já estava parado fazia meia hora. Aquele cavalo era mais hiperativo do que o próprio dono. Como ele o achara, o garoto não tinha a menor idéia e ficara surpreso quando deu de cara com seu cavalo perdido há muito tempo.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Quer parar de reclamar? – sussurrou o garoto, lançando um olhar de advertência ao cavalo preto – Sua hora vai chegar.</p>
<p style="color: #000000;">O cavalo se empinou um pouco nas patas traseiras, relinchando mais uma vez. Aquilo poderia ter sido uma risada.</p>
<p style="color: #000000;">O garoto analisava cada passo dos guardas. Já estava ali há três dias somente observando, embora isso fosse um pouco difícil para ele. Para uma pessoa agitada, esperar, ficar parado e observar podia ser um pesadelo, mas ele tinha que continuar assim se quisesse resgatar Annabelle.</p>
<p style="color: #000000;">Ela tinha um ego enorme, e precisava provar que era capaz de fazer tudo, e quando duvidavam dela&#8230;bem, esse tipo de coisa acontecia&#8230;isso de ela ficar presa na torre mais alta em uma cela, esperando pela forca. Provavelmente seu ego ferido a matava mais do que o medo de morrer agora. Ele podia até imaginá-la de braços cruzados, bufando enquanto batia o pé.</p>
<p style="color: #000000;">Casmurro resmungou atrás dele novamente. O garoto estalou a língua, irritado com a inquietação do cavalo que, às vezes agia como a pior das crianças birrentas.</p>
<p style="color: #000000;">Durante os três dias Ethan observou a movimentação no vilarejo, a entrada e saída de pessoas. Pelo que podia conjecturar, os guardas não podiam ter mais de vinte anos, só um pouco mais velhos do que ele e, ao julgar pelo andar desajeitado, eles não tinham muita experiência com armas, estavam ali só para fazer pose. De qualquer forma, ele não planejava um confronto direto, Ethan nunca gostara disso. Era mais divertido atacar pelas costas ou simplesmente passar sem ser visto, mas aquela era uma operação de resgate, e ele precisava de mais alguma coisa, além de sua furtividade.</p>
<p style="color: #000000;">O plano era entrar e sair sem ser visto, seria melhor assim, mas, depois que recebeu a informação de que sua amiga turrona estava na torre mais alta, teve que mudar a estratégia. Casmurro seria seu salva vidas, ao mesmo tempo em que seria uma distração.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Quando anoitecer – disse o garoto, conversando consigo mesmo, embora o cavalo estivesse prestando bastante atenção também.</p>
<p style="color: #000000;">O anoitecer era o maior amigo dos ladrões e, além disso, quando o sol se punha, os guardas trocavam de turno.</p>
<p style="color: #000000;">Casmurro correria na direção dos portões, imitando um cavalo apavorado e perdido, um animal assustado que buscava um refúgio apenas. Se os guardas tentassem detê-lo, a distração funcionaria, se não&#8230; Bem, Ethan era ótimo em improvisação.</p>
<p style="color: #000000;">Quando o  céu estava escurecendo e o sol sumindo no horizonte, o plano começou.</p>
<p style="color: #000000;">Ethan soltou as rédeas do cavalo agitado e o deixou correr na direção do vilarejo, relinchando como um louco, parecendo bem assustado mesmo. Às vezes Ethan achava que o cavalo era melhor ator do que ele mesmo.</p>
<p style="color: #000000;">Casmurro chamou a atenção dos guardas como era previsto. Passou pelos portões bem capengas de madeira, arrastando um dos guardas de armadura preta que tentou pegá-lo pelas rédeas.</p>
<p style="color: #000000;">Seguiu furtivo pelo mesmo caminho que o cavalo seguira, misturando-se com as sombras da noite até que estivesse perto dos portões. Cobriu-se com o manto e passou pelos portões. Sentiu-se quase insultado quando viu como as defesas do vilarejo eram capengas, pois ele passou com tranqüilidade. Andou até metade do caminho para as torres quando finalmente teve de se enfiar em uma fresta pequena demais para ele, para que não fosse visto.</p>
<p style="color: #000000;">O vilarejo era muito pequeno e por isso não tinha lugar para becos, mas tinha <em>sim </em>lugar para um pequeno palácio – pequeno comparado com outros que ele já tinha visto – onde Annabelle estava presa.</p>
<p style="color: #000000;">Era contraditório um lugar tão pequeno ter um palacete como aquele, enquanto as casas eram malfeitas e defeituosas – embora parecessem ser aconchegantes. Ele quase cedeu a vontade de entrar em uma estalagem qualquer para descansar e beber um pouco, mas conteve-se. A vontade de fazer Annabelle perceber a burrice que tinha feito era muito grande a ponto de ele querer fazê-la esperar até o último momento, quando a corda estivesse em seu pescoço, mas ele também sabia que se fosse ele no lugar dela, Annabelle faria de tudo para conseguir resgatá-lo o quanto antes.</p>
<p style="color: #000000;">Observou de longe o palacete. Os portões estavam escancarados, como se ninguém tivesse medo de ladrão algum.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Só pode estar brincando – murmurou para si mesmo, aborrecido. As coisas estavam muito fáceis até agora.</p>
<p style="color: #000000;">Correu para os portões sem fazer nenhum barulho e então descobriu porque a entrada do vilarejo tinha tão poucos guardas. Todos eles estavam dentro do palacete. O pátio estava desocupado, mas a maioria dele estava andando de um lado para os outros, como sentinelas no modo automático.</p>
<p style="color: #000000;">Ethan estava abrigado nas sombras e coberto por seu manto escuro, mas mesmo assim ele não se sentia muito seguro. Respirou fundo e espiou para dentro do pátio. À sua direita e esquerda encontravam-se escadas que levavam até os muros. Ouviu passos rítmicos logo acima dele. Apurou os ouvidos.</p>
<p style="color: #000000;">Dois à esquerda e um à direita. Ele escolheu a esquerda.</p>
<p style="color: #000000;">Esperou que os guardas ao norte tivessem todos virados para a direita e subiu as escadas correndo, mas sem fazer o menor barulho. Entrou na torre de vigia e esperou encostado na parede até que algum guarda aparecesse.</p>
<p style="color: #000000;">Eles estavam mesmo no modo automático, porque somente quando o homem estava para retomar seus passos, viu que tinha alguma coisa estranha. Mas antes que pudesse dizer alguma coisa, Ethan o agarrou pelo pescoço, tampando-lhe o nariz enquanto apertava seu pescoço em uma chave de braço.</p>
<p style="color: #000000;">Ele podia usar sua espada curta, mas faria muita sujeira e o guarda provavelmente não se deixaria cair sem lutar.</p>
<p style="color: #000000;">Em cada torre de vigia havia duas entradas, permitindo que os guardas circulassem por todo o perímetro, mas eles não pareciam preocupados com isso, porque não apareceu ninguém na entrada a sua esquerda, mas eles talvez não demorassem a perceber que seus companheiros estavam sumindo aos poucos.</p>
<p style="color: #000000;">Ethan ficou nessa por dez minutos. Depois disso, ele estava na torre de vigia com três guardas desmaiados aos seus pés.</p>
<p style="color: #000000;">Tirou o manto e pegou a corda com o gancho na ponta. Espetou a cabeça para fora, olhando para os lados. Guardas ao norte totalmente distraídos, confere.</p>
<p style="color: #000000;">Saiu rapidamente, abaixando-se, escondendo-se atrás da parte mais alta do muro. Aquilo era usado para fazer o palacete parecer mais bonito, mas para ele, era mais como um esconderijo.</p>
<p style="color: #000000;">Aquele vilarejo parecia ter sido construído às presas, porque era burrice prender alguém em uma das torres mais altas que, por coincidência, era acima de uma das torres de vigia. Talvez eles achassem que prisioneiros não eram dignos de ficar mais perto da área real. Para ele estava bom.</p>
<p style="color: #000000;">Lançou o gancho que pousou com um leve <em>clic </em>no telhado. Ethan puxou a corda duas vezes, certificando-se de que era seguro.</p>
<p style="color: #000000;">Subiu pela corda sem o menor problema, contornando a torre até estar na parte da frente, para que nenhum guarda o visse escalar&#8230; Pelo menos nenhum dentro do palacete.</p>
<p style="color: #000000;">Quando chegou a janela encontrou Annabelle com sua espada, terminando o serviço nas grades.</p>
<p style="color: #000000;">Em um momento de déficit de atenção, ele pensou em como eles a tinham colocado lá em cima e como pretendiam tirá-la de lá para levá-la até a forca sendo que no lugar não havia portas e a única janela tinha grades (agora umas poucas graças à Annabelle).</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Achei que você não vinha – cuspiu, os olhos estreitos. Ela tentou forçar as barras de ferro para conseguir mais espaço para passar, mas aquilo era o suficiente. Seu tom deixava claro que ela não acreditava no que tinha acabado de dizer.</p>
<p style="color: #000000;">O lugar em que ela fora aprisionada não tinha nada, exceto um pouco de palha espalhado pelo chão sujo de detritos.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Da próxima vez faça o favor de me escutar – disse o garoto, descendo um pouco na corda para que ela pudesse descer também.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; E por que eu escutaria? – perguntou, petulante, enquanto se espremia para fora da cela.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Porque eu sou mais velho do que você.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; E mais chato também – retrucou, mas havia um vestígio de riso em sua voz.</p>
<p style="color: #000000;">Os dois eram bastante jovens, mas ela era mais imprudente do que ele. Ethan tinha quinze anos quando começava a carreira e agora tinha 19 anos, agora Annabelle tinha 17 e não tinha muita experiência em ladinagem, por isso tinha sido pega.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Como eles não desarmaram você? – perguntou o garoto, olhando para baixo.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Eles não viram a arma.</p>
<p style="color: #000000;">Ethan parou.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Está brincando? – a inflexão em sua voz fez com que aquilo virasse uma pergunta.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Não sou tão idiota assim. Aprendi algumas coisas com você – disse.</p>
<p style="color: #000000;">Ele não podia deixar de sentir orgulho dela.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Como você fez?</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; O que?</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Como eles não viram a arma? – repetiu. Viu, mesmo daquele ângulo, que ela tinha corado.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Eu tenho meus artifícios – disse, aborrecida. Ele pensou no que ela teria feito. Ela era uma garota muito bonita e esperta, só era bem imprudente às vezes.</p>
<p style="color: #000000;">Quando encheu os pulmões para fazer mais uma pergunta uma flecha passou raspando por sua orelha. Ethan olhou para baixo e viu os guardas saindo de dentro do palacete.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Acho que fomos vistos – ele disse, sorrindo. Finalmente um pouco de ação.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Você acha? – perguntou, sarcástica.</p>
<p style="color: #000000;">Escorregaram pela corda, queimando as mãos. O problema: a corda não chegava até o chão. Restava pelo menos cinco metros ainda.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Pule! – gritou, certo, e soltou a corda.</p>
<p style="color: #000000;">Seus pés latejaram quando ele encontrou o chão, mas pelo menos ele caiu de pé, já Annabelle caiu de costas e perdeu o ar. Ethan a ajudou a levantar, mas ela mal conseguia ficar de pé.</p>
<p style="color: #000000;">Guardas corriam para fora do palacete e eles começaram a ficar cercados. Já era essa coisa de entrar e sair sem ser visto.</p>
<p style="color: #000000;">Os de armadura preta desembainhavam as espadas e apontavam suas pontas finas para os dois. Ethan já começava a puxar sua própria espada, começando a se conformar com um confronto direto quando ouviu um estrondo.</p>
<p style="color: #000000;">X</p>
<p style="color: #000000;">Seus pulmões ainda formigavam pela caída de mau jeito, mas pelo menos ela conseguiu sacar sua espada.</p>
<p style="color: #000000;">Um som estranho veio de algum lugar, parecia um trovão, mas era mais abafado e então veio outro som; o som inconfundível de cascos castigando o chão. Da rua principal sugiram os cavalos.</p>
<p style="color: #000000;">Um garanhão preto estava na liderança.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Casmurro! – gritou, surpresa, pois aquele cavalo Ethan e ela tinham perdido em uma de suas jornadas, mas ele, aparentemente os seguira.</p>
<p style="color: #000000;">Ethan riu escancarado. Ele a assustava quando fazia isso, às vezes pensava se ele não tinha algumas conversas íntimas com Nimb.</p>
<p style="color: #000000;">A cavalaria veio e não parou. Alguns guardas pularam para sair da frente dos animais desgovernados. Casmurro relinchou e seus amigos pisotearam alguns guardas, os outros que se salvaram dos animais, não conseguiam acertá-los.</p>
<p style="color: #000000;">Ethan subiu e a ajudou a montar no cavalo.</p>
<p style="color: #000000;">Antes que pudesse sair cavalgando ela disse:</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Espere! – esticou o braço e agarrou a corda. Com um movimento bem estudado, soltou o gancho do telhado e ele caiu ao lado do cavalo que quase os derrubou com o susto.</p>
<p style="color: #000000;">O alarme soou dentro do palacete e logo eles teriam mais companhia.</p>
<p style="color: #000000;">Annabelle enrolou a corda apressada.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Vai! – berrou, segurando a cintura de Ethan com uma mão.</p>
<p style="color: #000000;">Atrás deles, alguns guardas saíram montados em seus garanhões também, com lanças e espadas nas mãos.</p>
<p style="color: #000000;">Casmurro pareceu relutar quando Ethan ajeitou as rédeas para direcioná-lo para o portão antes que o fechassem.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; O que foi? – perguntou o garoto, irritado, metendo os calcanhares no lombo do animal.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Ele não quer deixá-los – Annabelle disse olhando para os cavalos coiceando alguns homens.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Eles vão ficar bem – Ethan gritou, começando a ficar desesperado.</p>
<p style="color: #000000;">Finalmente Casmurro partiu, galopando na direção dos portões, mais rápido do que nunca. Seu pelo preto brilhava de suor.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Vai, vai, vai! – gritavam os dois, pressionando o animal a ir mais rápido.</p>
<p style="color: #000000;">Casmurro era veloz, mas os cavalos dos guardas também eram.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Temos que atrasá-los! – Ethan falou por cima do ombro.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Deixe comigo – ela respondeu, apertando a corda com firmeza. – Só mais um pouco – meditou, mantendo os olhos no portão.</p>
<p style="color: #000000;">Cinco metros antes de conseguirem sair, ela começou a girar o gancho, rezando para todos os deuses do panteão, para que ela conseguisse acertar o alvo.</p>
<p style="color: #000000;">Quando saíram do vilarejo, ela lançou o gancho de quatro pontas e esperou para ver aonde cairia. A corda não devia ter mais de quinze metros, mas seria o suficiente&#8230;talvez.</p>
<p style="color: #000000;">O gancho descreveu um arco e se enroscou na parte de cima do portão. Ela segurou mais firme na cintura de Ethan e sentiu seu braço ser puxado para trás, enquanto arrastava o portão com a velocidade do cavalo. Com um estrondo, o portão se fechou, bloqueando a passagem dos guardas e de seus cavalos.</p>
<p style="color: #000000;">Ethan gargalhava na frente dela.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Do que você está rindo? – perguntou, irritada. Olhando uma última vez por cima do ombro, viu que estavam salvos por enquanto.</p>
<p style="color: #000000;">&#8211; Casmurro nos salvou – ele riu novamente – O <em>cavalo </em>nos salvou.</p>
<p style="color: #000000;">Casmurro relinchou, rindo com o dono.</p>
<p style="color: #000000;">Annabelle se apertou mais forte contra Ethan, suspirando aliviada por estar segura e ao mesmo tempo feliz por ter feito alguma coisa certa, digna de uma ladina de verdade.</p>
<p style="color: #000000;">Entraram no bosque galopando. Só era possível ver os cabelos negros de Ethan, açoitados pelo vento e o caminho à frente, mas ela preferia ficar com a primeira opção.</p>
<p style="color: #000000;">Não precisava olhar para frente, não importava para onde iriam a seguir. Até porque, o destino não é tão importante quando a jornada, dizem.</p>
<p style="color: #000000;">_____________________________________________________________________________________________________</p>
<p style="color: #000000;"><i>That&#8217;s all folks! Espero que tenham gostado e até a próxima o/</i></p>
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		<item>
		<title>To Hero</title>
		<link>https://u42.com.br/to-hero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Napoli]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Oct 2013 14:00:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoral]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>N.A: Pronto, esse é o próximo post, hehe. E vamos ao que interessa \o/ _______________________________________________________________________________________________________ Seus pés estavam adormecidos por conta do frio e Zero andava no encalço do homem que o salvara. Ele tinha que se lembrar de perguntar qual era o nome dele. Zero ficou ainda mais impressionado com o que viu ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>N.A: Pronto, esse é o próximo post, hehe. E vamos ao que interessa \o/</p>
<p>_______________________________________________________________________________________________________</p>
<p>Seus pés estavam adormecidos por conta do frio e Zero andava no encalço do homem que o salvara. Ele tinha que se lembrar de perguntar qual era o nome dele.</p>
<p>Zero ficou ainda mais impressionado com o que viu ao voltar para onde antes fervilhava uma guerra civil. Olhando para o chão pôde reconhecer, com satisfação enorme, que a maioria dos homens caídos eram Yudenianos, embora pudesse ver alguns homens, mulheres e crianças também, conhecidos.</p>
<p>Algumas mulheres andavam com facas de cozinha nas mãos e rolos de massa, qualquer coisa servia como arma. Pedaços de canos, talheres, pedaços de pau, até garrafas quebradas.</p>
<p>Parecia-lhe impossível que toda aquela gente reprimida por tanto tempo fosse capaz de derrotar tantos Yudenianos. Por mais que os civis já tivessem matado, sua raiva voltou a borbulhar quando viram o grupo trazendo Ivan. Alguns avançaram para cima dele, xingando-o de todos os nomes possíveis, cuspindo e amaldiçoando-o por tudo o que o vilarejo vinha passando.</p>
<p>Algumas pessoas do grupo afastaram os civis; eles queriam que ele respondesse a algumas perguntas, não ajudaria em nada se ele estivesse morto, embora Zero quisesse matá-lo com as próprias mãos.</p>
<p>&#8211; Vocês nos salvaram – clamaram no meio da multidão.</p>
<p>&#8211; Quem são vocês? – uma voz grave perguntou.</p>
<p>&#8211; Somos os Inimigos do Mundo! – alguém do grupo exclamou.</p>
<p>Não demorou e o nome do grupo começou a se espalhar como um novo grito de guerra, revigorante e vitorioso. Punhos estavam estendidos no ar, saudando-os enquanto gritavam em plenos pulmões.</p>
<p>Zero percebeu que o grupo se dirigia a uma estalagem quando eles já estavam bem longe. Achou que não deveria entrar, por mais que quisesse, então ficou do lado de fora, tremendo. Sentou-se na pequena varanda, encolhido, repassando na cabeça tudo o que havia acontecido hoje. Agora ele pensava no que faria a seguir, não tinha mais sua família, todos haviam sido mortos, não tinha mais um propósito ali.</p>
<p>Alguém tocou seu ombro e Zero sobressaltou.</p>
<p>&#8211; Desculpe – uma garota se ajoelhava na sua frente, carregava um embrulho nas mãos. Ele não podia ver cores, mas sabia que aquilo que lhe escorria pelo queixo era sangue.</p>
<p>A garota não devia ter mais do que quinze anos e estava retraída, qualquer pessoa que se aproximasse demais fazia com que ela se assustasse, assim como ele.</p>
<p>&#8211; Trouxe roupas – ela disse, estendendo o embrulho, quando Zero não aceitou ela estendeu uma mão – Sou Margot – disse, pegando a mão dele, chacoalhando-a timidamente e depois, novamente, ela estendeu o embrulho. – Você deve estar com frio.</p>
<p>Zero aceitou o embrulho, ainda desconfiado. Levantou-se devagar e procurou um lugar para se trocar, achando que seria muito inconveniente se escolhesse fazer isso dentro da estalagem.</p>
<p>Andou pela rua, a cabeça baixa enquanto abria caminho até onde era sua casa. Fez o caminho de volta, para onde o grupo tinha capturado Ivan. Seu coração se apertou quando parou na frente de sua casa, as janelas estavam quebradas e a porta estava aberta e quebrada, tinha sido arrombada havia muito tempo. Entrou na casa escura, revivendo cada detalhe de quando tinha sido tirado dali a força, revivendo cada cena de quando sua família foi assassinada na sua frente.</p>
<p>Acelerou o passo fazendo o caminho que conhecia até seu quarto. Palha estava espalhada no chão e a janela estava escancarada. No assoalho ele podia ver alguns flocos de neve.</p>
<p>Um pedaço de pano velho serviu como esponja. Era tortura lavar o corpo com água naquele frio, mas para quem havia sido torturado por duas semanas, não era tão ruim assim, pensou. Não tinha tempo para um banho, nem vontade também. Vestiu a roupa que Margot havia lhe dado, descobrindo que estranhava o conforto do tecido encostando-se à pele. Colocou as botas e jogou o manto simples em cima dos ombros. Resistiu ao impulso de dar uma volta dentro da casa simples. O remorso que sentia sem reviver todas as lembranças já eram o suficiente. Passou pela porta a fora e respirou fundo.</p>
<p>Não tinha a menor ideia do que faria a seguir, era óbvio que a paz não duraria muito. Os Yudenianos saberiam que tinha alguma coisa errada quando outro destacamento viesse ou quando vissem que nenhum deles estava voltando. Tennes estava condenada, de uma maneira ou de outra. Embora ele quisesse ajudar, não podia fazer nada ali. Pensando bem, não podia fazer nada lá fora também.</p>
<p>Em vez de voltar para onde o grupo estava ele foi até onde eles encontraram Ivan. Zero andou cautelosamente, esperando que a criatura da tormenta já tivesse morrido àquela altura, mas quando chegou lá, não viu sinal dela, e não sabia dizer se isso era bom ou ruim. O gigante jazia ali, seu tamanho colossal já não fazia diferença. Aproximou-se de onde o elfo estava e encontrou algo no chão.</p>
<p>Abaixou-se para ver melhor, era um arco, um arco duplo para ser mais exato.</p>
<p>Aproximou a mão da arma vagarosamente, temendo que ela fosse tão exótica quanto o dono, mas nada aconteceu quando ele a tocou.</p>
<p>Seus dedos correram pela madeira, lembrando-se de seu primeiro arco, seu primeiro tiro. Dedilhou a corda rígida e puxou-a, testando. Definitivamente era um bom arco, não era o seu, mas era bom. Não sabia exatamente o que estava pensando quando pegou a arma e a única flecha que o elfo tivera a chance de atirar.</p>
<p>Andou vagarosamente de volta para a multidão que ainda gritava o nome daquele grupo que os salvara, colocando o arco às costas, balançando a única flecha nos dedos.</p>
<p>Aproveitou sua caminhada. Podia sentir suas pernas, nada mais doía, não haviam feridas em seu corpo, ele podia ver.</p>
<p>Algumas pessoas recolhiam corpos do meio da rua, alguns aproveitavam para saquear os soldados caídos. Os que ainda respiravam ganhavam uma punhalada da população raivosa.</p>
<p>Na varanda havia mais gente do que antes. Havia dois garotos do lado de fora e também uma menina, aquela que lhe dera a muda de roupa. Quando Zero chegou mais perto, um outro garoto saiu de lá de dentro e passou esbarrando em seu ombro, a testa franzida e o lábio inferior proeminente, ele parecia prestes a chorar.</p>
<p>Não muito tempo depois, o angelo saiu, batendo a mão no batente da porta. Ele não parecia zangado, só frustrado. Suas asas estavam fechadas, mas ainda assim eram enormes.</p>
<p>Zero podia ouvir vozes lá dentro, mas foi por pouco tempo. Ouviu o arrastar de uma cadeira e se afastou da porta, esbarrando nos dois garotos no processo por conta do espaço pequeno.</p>
<p>Braços fortes empurraram Ivan para fora e, aos poucos civis pararam tudo que estavam fazendo.</p>
<p>&#8211; Matem ele! – gritou uma voz de mulher.</p>
<p>Não houve hesitação por parte de ninguém. A multidão avançou em cima do homem, e Zero pôde ouvi-lo gritar dolorosamente mesmo depois de ter sumido no meio do povo enfurecido.</p>
<p>Não podia dizer que não estava horrorizado com aquela cena. A população lincharia</p>
<p>Ivan até que estivesse morto.</p>
<p>&#8211; Vamos – ouviu a mulher dizer. Seus cabelos encaracolados lhe cobriam o rosto, mas ele não precisava ver para saber que ela não aprovava o que tinham feito.</p>
<p>Quando Zero viu os meninos e a garota se precipitarem para dentro, ele fez o mesmo, pois, por mais que odiasse Ivan, pensava que aquela era uma maneira horrível de morrer.</p>
<p>Estavam todos na margem do Rio dos Deuses agora. Aqueles garotos que esperavam do lado de fora da estalagem estavam agora conversando com o grupo de aventureiros. Zero não demorou a perceber que os garotos tinham alguma ligação com eles.</p>
<p>Em poucos minutos todos haviam se apresentado. O nome do homem que o salvara era Oromis, paladino de Thyatis. Isso explicava porque ele dera as costas aos seus amigos para curá-lo. Era um homem alto e forte e de cabelos curtos, o que era bem incomum para os elfos.</p>
<p>O mago que tentara controlar o elfo corrompido se chamava Vergnett e era o único mago do grupo. Magro e de estrutura frágil, ninguém imaginaria o poder que tinha. Também era um elfo, escondia-se por trás de um capuz. Zero não o conhecia bem, mas parecia bem calado, mas não de um modo tímido e sim pensativo, <em>perigoso</em>.</p>
<p>Cygnus era um clérigo de Nimb, como suspeitara desde o início. Tinha uma capa com o símbolo Yudeniano nas costas, amarrado de cabeça para baixo, um grande insulto. Riu por dentro quando o viu pegar a capa de volta de um das guerreiras que se disfarçara de oficial para conseguir passar pelos guardas nos portões.</p>
<p>A mulher que tinha ajudado a trazer Ivan era realmente muito grande. Usava uma armadura pesada e seus músculos apareciam pelas fendas da armadura, embora fossem delicados, davam medo. O punho de sua espada de suas mãos amarrada às suas costas era visível para qualquer um. Realmente era preciso muita força para conseguir manejar aquilo. Era difícil vê-la sorrindo.</p>
<p>Lyra parecia ser a mais nova de todas as mulheres. Tinha o cabelo totalmente embaraçado em grandes nós, mas ainda pareciam bonitos. Também era alta, e carregava duas espadas, uma longa e outra curta. Era menos bruta do que a outra. Suas orelhas eram levemente mais pontudas do que orelhas normais, era uma meio-elfa.</p>
<p>Ayla parecia ser a única mais arrumada entre as mulheres, seu cabelo parecia recém-lavado, somente com algumas mexas fora do lugar. Seu corpo esguio e delicado lhe dizia que ela não era uma guerreira. Carregava um florete na cintura e uma besta na bota, mas Zero desconfiava que essas não eram suas únicas armas (sabe-se lá quantas armas ela escondia dentro daquele espartilho). Era muito boa em desconcentrar, principalmente os homens. Mesmo não enxergando como uma pessoa normal ele sabia que a beleza daquela mulher não era igual a qualquer outra. Fechou a boca fazendo um barulho estranho quando seus dentes se chocaram uns contra os outros. Engoliu em seco, percebendo que estava sendo muito óbvio.</p>
<p>O outro homem era estranho. Chama-se Miguel e pelo que lhe contara, não se lembrava de onde viera. Suas asas ocupavam um bom espaço por onde quer que andasse. Era muito alto e musculoso e, embora estivesse frio, ele estava vestindo uma toga e parecia não sentir os efeitos do vento gelado vindo das Uivantes. Se sentia, não demonstrava.</p>
<p>Havia um outro grupo junto com os aventureiros. Eram civis que vinham de Yuvallin, mas eles gostavam de ser chamados de milicianos. Todos eram muito novos, o mais velho devia ter não mais do que 16 anos. Margot estava entre eles e não abria a boca senão para admirar o angelo.</p>
<p>Zero descobriu que os aventureiros seguiriam viajem direto para as Uivantes, o que era loucura, pelo menos com um grupo tão grande como aquele. Alguém teve que dizer que os garotos não poderiam ir junto e eles não ficaram nada felizes, principalmente o líder – Bran era o nome dele, lembrou-se. O menino ficou carrancudo, mas não quis demonstrar uma reação infantil.</p>
<p>Olhou para trás novamente, para os portões pensando no que faria. Olhou para o arco em sua mão e levou a outra para sentir as penas das flechas em sua aljava reabastecida. O que ele tinha a perder?</p>
<p>&#8211; Ahn&#8230;com licença – disse, timidamente, infiltrando-se no meio dos milicianos.</p>
<p>Zero geralmente não era tímido, mas sabia que estava lidando com gente com bem mais experiência. Em seus trinta anos, ele não tinha vivido metade do que aquele grupo tinha em experiência de combate.</p>
<p>Mexeu na venda automaticamente, nervoso. Depois que toda a confusão acabara do lado de fora, quase nada restara de Ivan, mas Zero avistou um pedaço rasgado de sua capa roxa, que antes significava sua posição na hierarquia, agora era apenas sua mortalha, a coisa mais digna que poderia ter. Pegou o farrapo do chão e amarrou em volta da cabeça logo em cima das pálpebras, afim de cobrir as órbitas fundas e vazias.</p>
<p>Um silêncio profundo emanou durante um tempo, enquanto todos paravam de conversar e voltaram sua atenção para o homem não tão cego assim. O zumbido do silêncio só era cortado pelo Rio dos deuses.</p>
<p>&#8211; Eu&#8230;eu quero ir com vocês – disse. Depois percebeu como sua manifestação era estúpida. Se não levariam os milicianos, por que levaria ele?</p>
<p>&#8211; Como? – Lyra perguntou, um sinal de riso na voz.</p>
<p>&#8211; Posso ser útil. – começou – Sou bom com o arco e flecha – falou ansiosamente, apertando a madeira nas mãos.</p>
<p>Ayla se aproximou, tinha uma maçã meio mordida nas mãos.</p>
<p>&#8211; É mesmo? – seu tom era desafiador.</p>
<p>Zero tinha aberto a boca para responder quando Ayla jogou a maçã para cima. Era como se voltasse á adolescência, quando era sua irmã quem fazia isso.</p>
<p>Sua mão livre foi direta e automaticamente para sua aljava, pegando três flechas de uma vez. Encaixou-a no arco, cada dedo separando uma flecha e cada uma postada mais para frente do que a outra. Atirou assim que a maçã começou a cair.</p>
<p>Suas flechas foram certeiras, todas acertaram a maçã, a primeira trespassou o miolo e terminou espetada na margem do Rio dos deuses a uma bela distância, e as outras duas se fincaram um pouco mais à esquerda. A terceira flecha partiu a segunda, pois acertaram exatamente o mesmo lugar. Continuou com o braço erguido quando a maçã caiu. Ele mesmo não acreditava que ainda fosse tão bom com o arco. Começou a sorrir para si mesmo, então notou o novo silêncio.</p>
<p>Todos estavam espantados. Olhou para os lados e viu seus vizinhos, alguns sorriam, outros arregalavam os olhos. Olhou para Ayla, abaixando os braços lentamente.</p>
<p>O sorriso da moça o fez adivinhar a resposta.</p>
<p>&#8211; Tudo bem então – Ayla voltou-se para o grupo e depois de algum tempo eles entenderam que ela queria uma resposta.</p>
<p>Todos acenaram com a cabeça de forma veemente.</p>
<p>Então era isso. A partir daí, Zero passara a fazer parte dos Inimigos do Mundo.</p>
<p>Embarcou na balsa, ainda digerindo a informação. Começara o dia como prisioneiro e agora era um aventureiro. Se tornaria um herói.</p>
<p>No meio de tudo isso, ele faria o possível e o impossível para manter-se leal a Oromis e protegê-lo a qualquer custo. Sentia que devia mais do que sua vida àquele homem, talvez fosse impressão, mas era quase como se tivesse criado uma ligação empática com o paladino. Seria uma espécie de guarda costas.</p>
<p>Ayla passou na sua frente, andando graciosamente posicionando-se ao lado dele, olhando por sobre a amurada.</p>
<p>Seria uma travessia perigosa, a correnteza do Rio dos Deuses era quase tão poderosa quanto os seres divinos em si, pegava o barco perpendicularmente. Uma corda atravessava a balsa da popa à proa passando pelo meio de dois anéis. Era possível ouvir o material da corda esticando-se, lutando contra a corrente. Mas isso não era nada comparado com os perigos que aquelas águas escondiam, ou nas terras do outro lado.</p>
<p>Alguns homens conhecidos subiram a bordo e pegaram nos remos, prontos para</p>
<p>fazerem o barco andar.</p>
<p>Viu seu vilarejo desaparecer aos poucos conforme a balsa ganhava velocidade com o ritmo cadenciado dos remos no convés abaixo. Viu desaparecer seu passado e sua arrogância.</p>
<p>Agora seria um herói.</p>
<p>_______________________________________________________________________________________________________</p>
<p>N.A:  E chegou ao fim&#8230;ou será que não?</p>
<p>That&#8217;s all folks. Espero que tenham curtido. Até a próxima aventureiros 😉</p>
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			</item>
		<item>
		<title>From Zero</title>
		<link>https://u42.com.br/from-zero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Napoli]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Oct 2013 22:31:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoral]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fala, Nerds! Sejam bem vindos ao meu humilde mundo. Você joga RPG de tabuleiro? Aposto que vocês que sabem do que eu estou falando já tentaram explicar como funciona para os amigos e família, e todo mundo ficou com uma cara de ponto de interrogação quando você terminou de explicar, não foi? É exatamente por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fala, Nerds! Sejam bem vindos ao meu humilde mundo.</p>
<p>Você joga RPG de tabuleiro? Aposto que vocês que sabem do que eu estou falando já tentaram explicar como funciona para os amigos e família, e todo mundo ficou com uma cara de ponto de interrogação quando você terminou de explicar, não foi? É exatamente por isso que resolvi começar a <i>escrever</i> os encontros de RPG. Mesmo ouvindo as gravações, ainda há quem diga &#8220;Mas como vocês acham isso legal? São só dados!&#8221;.</p>
<p>Nananina, é muito mais do que isso. É como fazer parte de uma grande fábrica de ideias onde absolutamente ninguém é ator, mas encarna o próprio personagem.</p>
<p>Assim que todos estamos sentados com os pacotes de Trakinas de morango e copos com Coca-Cola em cima da mesa, dados de estimação em cima das fichas e tabuleiro no centro da mesa, o que não pode faltar são os gravadores. No começo, fizemos isso só para uma recapitulação básica, mas aí, uma luz! E se eu escrevesse sobre o que acontecia no jogo sob o ponto de vista de uma das personagens? Isso faria os ~meros mortais~ entenderem um pouco melhor esse universo.<em></em> Este conto foi baseado na personagem Zero, do Casimiro (&lt;3), dentro do universo Tormenta RPG. Isso é para mostrar que não, não são só dados. _____________________________________________________________</p>
<p>O cheiro era insuportável e ficava cada vez pior. Da última vez em que vira alguma coisa, seu companheiro estava desmaiado. Ele só o conhecia de vista; era filho de um dos taverneiros do vilarejo e também fora trazido para as masmorras.</p>
<p>Eles nunca mais tiveram paz desde que o primeiro destacamento veio de Yuden.</p>
<p>Zero já não sabia há quanto tempo estava ali. Pelo cheiro, umas duas semanas. Não conseguia mais sentir as pernas, mas sabia que estava sentado em cima delas.</p>
<p>Uma palavra errada, apenas <em>uma.</em> Graças à sua arrogância. Os Yudenianos ouviram e o pegaram. E depois se seguiram duas semanas de tortura. No terceiro dia lhe quebraram as pernas, no sexto cortaram-lhe a língua ou teria sido no sétimo? Suas órbitas agora estavam vazias, porque ele não respondera às perguntas e lutara.</p>
<p>Em meio ao cheiro pútrido, ele podia identificar o aroma doce de pão velho e seco, o que ele se recusaria a ingerir antes, mas agora sua boca sem língua salivava pela comida. Não podia comer, entretanto; suas mãos estavam amarradas às costas e ele não podia ver onde estava a comida agora e não podia se arrastar também, pois tinham lhe acorrentado os pés.</p>
<p>Um silêncio repentino o fez parar de se mexer. Sem enxergar, Zero passara a prestar mais atenção em seus outros sentidos, além disso, já estava acostumado com o barulho das armaduras tilintando lá fora, mas de repente o raspar dos metais cessaram somente para dar lugar a uma voz forte.</p>
<p>&#8211; Alto lá!</p>
<p>Estremeceu com aquela voz, se de raiva ou de medo ainda não era possível saber. Percebeu então que seu companheiro de cela estava morto, pois ele não ouvira o barulho de suas correntes (e agora notava que fazia muito tempo), nem seu gemido agoniado, o que era bem usual. Aquela voz pertencia a um de seus carrascos que agora fazia guarda em frente às masmorras.</p>
<p>Respirou fundo, inalando o odor da podridão. Pelo menos não era Ivan, seus empregados não o teriam mandado parar daquela maneira.</p>
<p>Esperou, esperou e conseguiu ouvir uma voz de mulher. Não parecia ser nem um pouco frágil, era quase possível ver uma guerreira como dona da voz.</p>
<p>Ouviu um gemido estrangulado do lado de fora e então a confusão começou. Espadas tiniram e arranharam suas bainhas e logo depois veio o alarme. Houve correria do lado de fora, e a confusão do tilintar das armaduras recomeçou, mas de uma maneira bem mais apressada.</p>
<p>Correria e o som inconfundível de um corpo caindo no chão.</p>
<p>Guardas ficaram agitados na câmara ao lado, mas mantiveram o silêncio, desembainhando suas armas com rapidez de carrascos, esperando para atacar o inimigo desconhecido. Moveram-se rapidamente, pés arrastando-se no chão em uma tentativa fraca de ser furtivo e os guardar tomaram suas posições.</p>
<p>A luta lá fora continuou e não demorou a ser trazida para dentro. Para derrotar todos os guardas lá fora era necessário um grupo consideravelmente grande e de muita experiência. Por um momento, Zero temeu que talvez eles fossem piores que os Yudenianos – embora fosse difícil de acreditar – e se eles estivessem tomando o vilarejo em nome de outra cidade? E se o torturassem mais? Mas seu coração se acalmou quando forçou-se a pensar racionalmente. Que cidade seria louca o suficiente para se opor a Yuden?</p>
<p>Ouviu barulho de mais armaduras lá fora. Pelo som eram armaduras pesadas, armaduras Yudenianas. Zero tratou de não criar esperanças, porque quem quer que tivesse derrotado os guardas lá fora, não podia dar conta do número que estava vindo para ajudar. Ou talvez&#8230;</p>
<p>Pelo que conseguia se lembrar da entrada da masmorra, a única porta de entrada era bem estreita, apenas uma pessoa seria capaz de bloquear. Foi então que ele pensou em ajudar, toda sua exaustão esquecida por conta da adrenalina.</p>
<p>Em outras circunstâncias ele teria ajudado – não por ajudar, mas sim para provar que podia ser útil, para si mesmo e para os outros. Teria sido, talvez, o primeiro a levantar uma espada&#8230;embora preferisse seu arco, no momento, qualquer coisa servia.</p>
<p>Era uma mistura de sons, ou muito baixos, ou muito altos. Estranhamente, a água corrente do Rio dos Deuses parecia se sobrepor a tudo isso. Era a sobrecarga que sua audição estava recebendo.</p>
<p>O mundo pareceu ficar mudo por um tempo, seu corpo amoleceu e ele entrou em algum tipo de transe de exaustão sabe-se lá por quanto tempo. Era algum tipo estranho de desmaio, pensou mais tarde. Quando seu corpo tombou para frente, ele não atingiu o chão. Seu rosto entrou em contato com uma superfície fria e lisa. Metálica. O choque da temperatura o fez despertar e sua audição pareceu voltar. O caos tinha acabado, estava tudo estranhamente silencioso. Talvez ele tivesse sonhado.</p>
<p>Uma voz de homem perguntou alguma coisa, quem ele era ou o que tinha acontecido talvez, uma voz que não lhe era familiar. Zero tinha todas as respostas, mas não podia articular.</p>
<p>Queria agradecer, queria chorar, queria sair dali, queria sua família de volta, queria voltar no tempo e parar de ser tão arrogante, mas ele sabia que não podia. Ele abriu a boca, mas tudo o que saiu foi um lamento estrangulado, extremamente vergonhoso. Um pedido:</p>
<p>&#8211; Por favor – implorou no melhor de sua voz e língua.</p>
<p>O homem á sua frente se afastou e Zero, por reflexo, encolheu-se, lembranças da tortura voltando á tona. Estranhou quando o tapa não veio.</p>
<p>&#8211; Você vai ficar bem – o homem disse – Vamos tirar você daqui.</p>
<p>A voz era carregada de uma confiança da qual ele se lembrava de ter antigamente.</p>
<p>Seu corpo estava cansado e ele estava indefeso, mas Zero decidiu confiar naquele homem. Que escolha ele tinha? Aliás, se o homem quisesse matá-lo, já teria feito.</p>
<p>Ouviu passos na câmara ao lado. Estavam descendo as escadas, iriam libertar os outros prisioneiros.</p>
<p>Seus braços penderam moles dos lados de seu tronco, soltos finalmente. Quem era aquele homem? Por que estavam aqui, arriscando suas vidas por prisioneiros que eles, muito provavelmente, nem conheciam?</p>
<p>Queria e não queria saber a resposta ao mesmo tempo, porque agora sentia que devia sua vida a este homem estranho e ele teria que pagá-lo de alguma maneira. Tinha crescido sobre a crença de um tipo de código de honra: se alguém salva sua vida, você deveria devolver o favor. Agora, Zero não tinha mais família, o que teria a perder?</p>
<p>Uma discussão se seguiu na sala ao lado. O ar ficava cada vez mais tenso, a revolta era quase palpável e o envolvia. Os ânimos estavam exaltados e, agora, lamentar não era o suficiente; eles precisavam lutar.</p>
<p>Pensou no que teria acontecido com seus outros dois companheiros de cela que tinham sido levados para a ala leste da masmorra no segundo dia, mas julgando que eles haviam parado de gritar, muito provavelmente estavam mortos.</p>
<p>De repente, sentiu seu corpo ser levantado, seu centro de gravidade mudou e Zero pôde sentir uma vertigem temporária por causa do movimento repentino, embora cuidadoso. Tentou gritar, mas não conseguiu. Suas pernas &#8211; antes adormecidas &#8211; pulsaram de tal maneira que fez com que ele perdesse o ar por um momento. Por reflexo, tentou morder a língua para conter o gemido de dor, e então lembrou-se que não tinha uma.</p>
<p>O cheiro ruim foi diminuindo e mesmo sem os olhos soube que estava fora da masmorra. Podia sentir a luz do dia.</p>
<p>Por que o homem levaria um aleijado com eles? Zero só os atrasaria, sabia disso, estava fraco e não teria condições de seguir uma viagem se precisasse. Mas ele também percebeu que, para o homem que o salvara, a vida de Zero valia mais do que a dele.</p>
<p>Dentro da masmorra, estar nu não era um grande problema, embora não fosse exatamente quente, a temperatura estava melhor do que do lado de fora. O vento gelado e cortante das Uivantes pareciam morder sua pele sem cessar. Em poucos segundos ele estava tremendo.</p>
<p>Seu corpo balançava como um boneco de pano sobre o ombro do homem, cada balanço lhe dava uma fisgada nas pernas. Mas de repente o homem parou e em seguida, uma voz falou:</p>
<p>&#8211; Lutaremos por vocês se pedirem!</p>
<p>Zero reconheceu a voz; era o líder do vilarejo, ele vinha sendo torturado há dias, Zero presenciara seus gritos. Era de surpreender que ainda pudesse falar.</p>
<p>&#8211; Lutem por vocês mesmos! – alguém disse. Zero não soube dizer se aquilo era um conselho ou uma ordem.</p>
<p>&#8211; Por Tennes! – gritaram em uníssono. Foi aí que Zero percebeu quantas pessoas haviam se juntado ao grupo.</p>
<p>Começava então uma guerra civil.</p>
<p>Zero pôde ouvir os passos apressados de imediato. Logo algumas pessoas começaram a correr. Em pouco tempo, gritos de Yudenianos se misturavam com os gritos de guerra dos civis. Metal se chocava para todos os lados e, agora mais do que nunca, Zero se sentia vulnerável, seus sentidos gritando por uma visão que ele não tinha para poder se situar no meio da guerra, para poder se proteger. Os sons faziam-no sentir-se como um ratinho assustado, querendo fugir desesperadamente, embora seu orgulho estivesse ferido por admitir isso. Ele não tinha condições de lutar e nem de fugir.</p>
<p>&#8211; Ali! – ouviu, e logo depois o som de pés marchando em ritmo perfeito.</p>
<p>Yudenianos. Um destacamento vinha de algum lugar. No meio de toda a confusão e mesmo com alguns sentidos ampliados, ele não conseguia dizer de onde.</p>
<p>Seu corpo se moveu mais violentamente, e Zero sentiu o frio do chão logo depois. Por um momento assustador, ele pensou que seu salvador tivesse finalmente percebido que um aleijado inútil só atrapalharia em uma situação daquelas e o deixara ali para morrer.</p>
<p>&#8211; O que você está fazendo? – uma voz de mulher perguntou, apesar de parecer aveludada estava alarmada e carregada de raiva.</p>
<p>&#8211; O que você acha? – respondeu o homem ao seu lado.</p>
<p>A mulher resmungou exasperada, mas Zero não ligou, seus músculos tremiam tanto que ele chegou a pensar que estava tento uma convulsão. Àquela altura, ele já tinha perdido a sensibilidade nos dedos das mãos.</p>
<p>Sua hora chegou, pensou. Sua vida passou diante de seus olhos; como sua irmã costumava testá-lo com o arco. Lembrou-se de uma vez em que ela jogava uma maçã para cima quando ele tinha acabado de pegar no arco depois de terem brigado, desafiando-o a acertá-la antes que caísse no chão.</p>
<p>Seu corpo foi esquentando confortavelmente e ele pensou que talvez finalmente tivesse morrido. Seus músculos pararam de se retrair, aproveitando o calor. Seu coração diminuiu o compasso e ele sentiu seus dedos novamente. Seus pulsos, em carne viva por conta dos grilhões, pararam de arder repentinamente. Seus pés tinham pústulas, mas por conta da dormência ele não conseguia sentir os machucados havia muito tempo. Voltou a senti-los agora, mas não doíam.</p>
<p>Zero parecia ter entrado em algum estado de transe, pois tinha se desligado totalmente da realidade, assustado demais com o que estava sentindo. Voltou a sentir certas partes do corpo, seus músculos não doíam tanto. Só percebeu que o homem estava curando-o quando começou a sentir o frio novamente. Mas de uma forma estranha, ele se sentia um pouco mais forte.</p>
<p>Não soube dizer quanto tempo tinha se passado. Não podia ouvir vozes nitidamente, todas ecoavam muito como se estivessem muito longe. Era como se estivesse anestesiado.</p>
<p>Estava coberto com uma manta fina quando começou a ser carregado de novo. Para onde, ele não tinha a menor ideia. Pararam durante algum tempo, conversaram, mas Zero não prestava atenção na conversa, até que ouviu o nome de Ivan.</p>
<p>Pelo que entendera, o grupo procurava por Ivan e seus companheiros, estavam decidindo para onde iriam agora. O objetivo deles, na verdade, era tirar informações de Ivan e talvez matá-lo depois, soltar os prisioneiros não estivera nos planos.</p>
<p>Caminharam durante mais algum tempo. A guerra ainda acontecia á sua volta, mas agora eles pareciam estar chegando a um lugar um pouco afastado de todo o caos.</p>
<p>Então ele ouviu palmas, enfáticas e pausadas. <em>Irônicas.</em></p>
<p>&#8211; Muito bem – seus músculos paralisaram quando ele reconheceu a voz.</p>
<p>Era Ivan e, conhecendo-o, ele não estava sozinho. Soubera que Ivan andava com um clérigo de Keen, o deus da guerra, um elfo e um gigante. Mesmo que aquele grupo tivesse conseguido invadir a masmorra, libertar os prisioneiros e deter um destacamento Yudeniano, ele duvidava que conseguissem se livrar de Ivan e seus fiéis companheiros.</p>
<p>Antes que percebesse estava no chão de novo. Talvez fosse pior ser inútil contra Ivan do que contra os Yudenianos. Talvez os soldados ainda fossem um pouco sensíveis – embora ele achasse bem improvável – mas Ivan era uma coisa totalmente diferente. O <em>elfo</em>, aquele elfo não tinha piedade alguma.</p>
<p>Ouviu a troca de ameaças e as bravatas marotas que foram trocadas. Notou que o homem novamente não se juntou a luta, ele ficou ao seu lado. Quando seu corpo começou a esquentar, percebeu que seu salvador dera as costas á luta para curá-lo novamente. Quis protestar, mas desistiu quando a dor veio.</p>
<p>Muitos podem pensar que o processo de cura é indolor, mas Zero aprendeu que era o contrário e da pior maneira. De fato, em toda sua vida, nunca tinha recebido uma cura divina, na verdade nunca precisara de uma. As pessoas pensavam que a cura vinha lenta e calmamente, como o frio vindo do norte, mas estavam enganados.</p>
<p>Ouviu um estalo alto, duas vezes seguidas, e uma dor aguda lhe subiu pelas pernas. Era como se uma mão gigante, nada gentil, tivesse forçado os ossos quebrados de volta em seu devido lugar. Um formigamento começou em sua língua e, antes que pudesse terminar de gritar, se intensificou e logo era como se um formigueiro estivesse fervilhando dentro de sua boca. Não era exatamente doloroso, mas incomodava, era como se bolhas estivessem surgindo de repente, aumentando, aumentando.</p>
<p>Conseguia ouvir o homem rezando, vagamente. Enquanto gritava assustado ao sentir sua língua crescer milagrosamente dentro da boca. De fato, ele quase se engasgou com ela. Tinha sua língua novamente, inteira e em perfeito estado. Tentou dizer alguma coisa, mas era como se precisasse reaprender a usá-la.</p>
<p>Seus órgãos esquentaram de uma maneira estranha e reconfortante, o calor era renovador, subiu por sua espinha e se espalhou mais rapidamente por sua cabeça e sentiu suas pálpebras esquentaram de um modo estranho. Sentiu uma mão pousar em seu rosto e a reza se tornou mais alta e veemente.</p>
<p>Quando a mão se afastou, pela primeira vez, Zero não estava no escuro. Enxergava, mas não como antes. Via fogo, calor.</p>
<p>Estava assustado demais para ter alguma reação, achava que talvez estivesse tendo alucinações devido a todo estresse.</p>
<p>Duas mãos de fogo pairavam sobre seu corpo. Franziu a testa dolorosamente quando distinguiu o rosto do homem que o salvara. Era como se estivesse míope, as feições não eram exatas, pareciam não entrar em foco nunca, assim como o fogo agitado. Seu coração batia fortemente contra as costelas. Poderia ser Thyatis? O deus da ressurreição o tinha salvado? O que fizera para merecer ser salvo por uma divindade? Tentou piscar, mas não conseguiu, porque na verdade seus olhos não tinham crescido novamente, como sua língua, no entanto ele podia ver sem abrir os olhos. Enxergava com o olho divino.</p>
<p>Tentou pensar racionalmente e olhou novamente para o homem. Conseguiu ver os olhos, o nariz e a boca, nunca muito definidos, mas ele tinha certeza que o deus da ressurreição na tinha orelhas daquele tamanho; aquilo eram orelhas de elfo.</p>
<p>Olhou em volta, testando a nova visão. Estavam longe da confusão no centro do vilarejo, mas ainda era possível ouvir os gritos de guerra. O homem ao seu lado se movimentou, levantando-se cambaleante e meio ofegante por conta de toda a energia usada para curá-lo.</p>
<p>Zero finalmente lembrou-se de agradecê-lo, mas quando abriu a boca ele já tinha lhe dado às costas.</p>
<p>Seguiu o olhar para onde o homem estava indo. Agora via que o grupo era grande, eram seis, sete, contando com ele mesmo.</p>
<p>Alguém tampava a luz do sol, Zero ergueu o olhar e viu o gigante. Já ouvira falar nele e, mesmo que não pudesse vê-lo nitidamente, não deixava de ser assustador.</p>
<p>Por um lado, ele queria lutar, mas os 80% restantes de seu cérebro gritavam dizendo que ele não estava em condições para isso. Se ao menos tivesse seu arco e flecha.</p>
<p>Agarrou-se à manta que lhe cobria. Ainda tremia, mas agora ele tinha certeza que não era por causa do frio. Zero podia ver a desenvoltura que aquelas seis pessoas tinham. Três lutavam contra o gigante.</p>
<p>Havia mais uma pessoa, mais perto dele, que mantinha distância da batalha e fazia alguns gestos com as mãos. Zero sobressaltou quando alguém passou correndo do lado dele. Era um homem grande e, a não ser que estivesse tendo alucinações, ele tinha asas. Zero nunca tinha visto um angelo, mas considerou que aquele fosse um.</p>
<p>Acompanhou quando o homem abriu as asas e voou facilmente por cima da confusão. Zero viu quando ele mergulhou e conseguiu ver uma figura mais ao fundo do lado oposto, logo no fim da rua. Seu coração foi parar na garganta quando ele pensou que fosse o elfo, mas não viu nenhum sinal do arco que ele usava. Assistiu de boca aberta quando viu uma coluna de chamas subir, obstruindo sua visão do angelo.</p>
<p>O gigante rugiu e Zero, por reflexo arrastou-se para mais longe, lembrando-se de que suas pernas estavam boas novamente. Não tinha forças para levantar, não ainda. Mexia os dedos dos pés curiosamente quando sua atenção se voltou novamente para o angelo. Ele trazia seu alvo fincado em uma espada, como uma águia carregando sua presa nas garras.</p>
<p>O chão tremeu quando o gigante acertou o chão com toda a sua força em um soco poderoso. Podia ver sua forma enorme ajoelhada. Pelo que pôde perceber, aquela tinha sido sua última tentativa de um ataque, pois logo depois a criatura caiu imóvel, de cara no chão.</p>
<p>Uma seta se fincou a poucos metros a frente de seus pés. Olhou para a esquerda e lá estava ele, o maldito elfo. Apertou o maxilar, borbulhando de ódio, Zero vira aquele elfo fazer coisas hediondas. Arrastava inocentes pelas ruas, matava sem pensar duas vezes, torturava e chacinava enquanto sorria.</p>
<p>O homem que estava mais perto de si – agora ele sabia que era um mago – movia as mãos e fazia movimentos complexos com sua lança.</p>
<p>Não soube como, mas o mago conseguira controlar o elfo com algum tipo de teia que saía da ponta de sua lança, envoltas em chamas quase imperceptíveis. Olhou de um para o outro, sem acreditar no que via. Um corpo caiu ao seu lado fazendo um barulho enjoativo quando atingiu o chão e agora ele foi forçado a se levantar, mantendo a manta sobre os ombros, olhando assustado para a figura no chão. Era o clérigo de Keen, ao julgar pelo símbolo no peitoral da armadura, agora aberto em uma fenda horrenda.</p>
<p>Ouviu o grito agoniado do elfo e Zero desviou seus olhos para olhá-lo, já estava horrorizado, não podia ficar pior.</p>
<p>Mas ele estava enganado.</p>
<p>O elfo se contorcia e gemia enquanto tentava se livrar das teias. Zero achava que ele tinha finalmente desistido de lutar quando caiu no chão.</p>
<p>Mas ele não podia estar mais errado.</p>
<p>Mesmo não estando tão perto assim, ele podia ver o elfo tremer. Ele pareceu crescer de tamanho em muito pouco tempo e suas roupas começaram a rasgar, estourando a costura. De seu lado esquerdo, algo crescia para fora das costelas. Um terceiro braço. Logo Zero pôde ver as quelíceras pinçando o ar. Não via cores, mas sabia qual era a cor da Tormenta. Agora estava explicado porque o elfo era tão forte. Ele fora corrompido pela Tormenta e agora estava se transformando em uma criatura horrenda.</p>
<p>Seu estômago deu voltas e a bile queimou sua garganta. Ele já ouvira falar em criaturas da Tormenta. Era demônios que até os demônios temiam, criaturas de outro mundo, tão feias que eram capazes de levar homens á insanidade apenas por estarem presentes. O cérebro simplesmente não era capaz de aceitar uma coisa tão&#8230;<em>errada</em> quanto aquela. E agora Zero sentia o efeito da loucura atuando em seu corpo.</p>
<p>Tentou não entrar em pânico, mas o ar em volta dele havia mudado, todos estavam sob o efeito do horror que era aquela criatura. A carapaça era extremamente dura, praticamente impenetrável, qualquer homem que tentasse lutar contra aquilo, teria que lutar também contra a insanidade. Zero só não vomitou porque não tinha nada do estômago, mas podia sentir a garganta queimada por conta do ácido do estômago.</p>
<p>Lutou contra a vontade de gritar e desviou o olhar para o mago. Ele não tinha caído, não tinha perdido o controle, mas Zero não podia mais ver as teias que antes controlava o elfo corrompido. Controlou a ânsia quando olhou novamente para a criatura. Ele parecia estático, ajoelhado no chão. Tremia.</p>
<p>Novamente, Zero quase foi derrubado no chão quando alguém trombou nele, alguém com uma capa muito familiar.</p>
<p>Equilibrou-se sobre as pernas curadas. Estava pronto para gritar, avisando que o homem estava fugindo. Viu de relance a capa de Ivan antes que algumas pessoas do grupo de aventureiros pulassem em cima dele.</p>
<p>&#8211; Ah, não vai não! – ouviu uma voz de mulher gritar no meio da bagunça.</p>
<p>Quando o grupo se levantou, Ivan estava com os braços presos atrás das costas. Zero aproximou-se devagar, acanhado e curioso ao mesmo tempo. Não podia acreditar que alguém tinha conseguido pegar Ivan.</p>
<p>&#8211; Você vai responder algumas perguntas, maluco! – gritou um homem, o tom desvairado e ao mesmo tempo zombeteiro. Tinha um machado duplo amarrado às costas. Não parecia nada abalado com a luta que acabara de se passar.</p>
<p>Uma mulher grande, <em>muito</em> grande, forçou Ivan a se levantar e o empurrou para frente, de volta para o centro do vilarejo.</p>
<p>N.A: Continua (em um próximo post mesmo, hehe).</p>
<p>Se você odeia cliffhangers&#8230; Well, let the haters hate.</p>
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		<title>Bem-vindo ao Novo Nerd!</title>
		<link>https://u42.com.br/bem-vindo-ao-novo-nerd/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Oct 2013 19:48:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ora, olhe só, vocês chegaram. Venham, venham, encontrem um assento. Bem-vindos, bem-vindos! Bem-vindos, de fato! Forasteiros de terras distantes e amigos antigos! Vocês foram convocados aqui para responder à ameaça de Mor.. Err.. Peraí. Vamos tentar de novo. Um cachimbo deve ajudar, só um momento. *puff puff* Ah… muito melhor. Sejam bem-vindos ao Novo Nerd! [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ora, olhe só, vocês chegaram.<br />
Venham, venham, encontrem um assento.<br />
Bem-vindos, bem-vindos! Bem-vindos, de fato!<br />
Forasteiros de terras distantes e amigos antigos!<br />
Vocês foram convocados aqui para responder à ameaça de Mor..<br />
Err.. Peraí. Vamos tentar de novo. Um cachimbo deve ajudar, só um momento.<br />
*puff puff* Ah… muito melhor.</p>
<p>Sejam bem-vindos ao <strong>Novo Nerd</strong>!<br />
Este é o projeto (e a paixão) de uma equipe de Nerds que gosta tanto de suas esquisitices que não consegue se conter. Mas vejam bem e considerem-se avisados: esse não é um site sobre notícias Nerd. Se você está vindo pra cá só pra saber de novidades, sinto muito, mas veio à toca errada! Queremos contar novidades sim, mas mais do que isso, queremos dividir nossas opiniões e experiências sobre tudo aquilo que nos ajuda em nossa trajetória diária, que nos rouba do cotidiano. Aquilo que nos leva a mundos nunca antes explorados (ou já!) com uma visão única e pessoal. Aqui, na nossa toca, vamos falar sobre aquilo que no faz arrepiar, pulsar de alegria ou entrar em debates infinitos sobre mínimos detalhes: filmes, games, livros, RPG, quadrinhos, tecnologia, brinquedos, séries &#8211; haverá de tudo um pouco.</p>
<p>Se você, como a nossa equipe, tem compromissos pessoais e profissionais e passa seus dias esperando por aqueles 10 minutos no PS3, aquela partida de LoL (pára de feedar o bot!) ou aquele capítulo de “Game of Thrones”, você é um Novo Nerd! Mas, se você ainda é um Nerd Novo e tem toda a tarde livre para ficar em disputas na Battle.Net, também poderá compartilhar, aprender e ensinar a estes que vos falam e que tanto anseiam por conhecimento &#8211; e poder, é claro.</p>
<p>Portanto, afie sua espada, prepare seu golpe poderoso, pegue seus power converters e embarque nesta estrada, porque, meus amigos, “it´s gonna be Legen… wait for it… DARY! LEGENDARY!”</p>
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